Monday, April 24, 2006

Urgências!

Precisava a mulher urgente! Fazia-o com afinco de doidivanas no guardanapo de papel. Dedicação de mausoléu de mármore para vencer a hora avançada. Ferramenta do contexto em punho, afiada nas melhores escolas, e nos mais dedicados regimes. Para pensá-la, havia madrugado anos a fio, para querê-la, o intervalo bastava. Concebera-a mil vezes no desenho e redesenho do redemoinho. No afogueamento da água de briga. Imaginava-a linda e em contornos generosos. Quereria-a sempre. Nem murmúrio de gata em cio me fazia desapregar da tarefa. Mais sério do que ler A Gaia Ciência com meu cumpadre Marcelo de anos sem ver, tendo como companheira a delicada e liberal Germana. Era eu sim trôpego pela calçada. Dirigia o carro das chamas tortuantes. Carro explosivo de meu pai, o único disponível à época, estacionado a minha espera. À beira-mar, caminhavam em sentido oposto as impecáveis mulheres. Muito pouco precisas.

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