Saturday, April 22, 2006

Qual puta velha!

Houve tempo em que me considerava alguém sem comiseração. Quase implacável, distribuía moralidade pérfida de tão exemplar. Uma traição só podia ser punida com a morte. Com a pena capital da invisibilidade. Como eu era tolo! Hoje, depois de ter me esmerado no ato de cuidar de quem precisa de tudo, faltam-me forças para manter-me cruel e indiscernível. Expectativas tenho muitas, venho a ser estrutural depois de tanta embriaguez juvenil, procuro uma casa, uma família e, como preconizava Heine como sendo graça maior de Deus, sete árvores para enforcar sete de meus piores inimigos. Para que eu possa vê-los dependurados, enquanto tomo café da manhã. Quem são meus inimigos? Ninguém mais. Estou que nem puta velha. Vendo cafezinho para os antigos clientes, talvez em troca de uma palavra amiga. Acreditem se quiserem!

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