Thursday, April 27, 2006

Não sou dono de minha cabeça, só do juízo!

Tudo se passa como se uma história antiga pudesse ser contada. Uma narrativa sobre pessoas que viviam nas ondulações, intangíveis, moviam-se pelos atos de olhar, fascinadas pelo encanto do apoderamento. Dar o nome ao nome, regra ao torto, acabamento ao direito. Nesse ponto eram duras. Não se mostravam acanhadas nas matanças. Iam a se apropriar do real, interagindo no firme propósito de impedir qualquer estabilidade hierárquica entre os viventes. A maior riqueza era saber compartilhar as diferenças. Tudo de origem coletiva é de ficar. Passavam-se séculos em instantes. Pessoas de coração generoso, sorriso largo e capazes de amar o próprio destino. Povo raro, ligado na qualidade das conexões, alianças, tratos, pactos e imprecações. Gente de impecabilidade. Fazer caminho desse povo. Com o peito ao chão, deitada a honra, com a cabeça servida na bandeja das mãos, ofertada a inteligência.

1 comment:

fulô said...
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