Wednesday, April 26, 2006

Para Andréa

Tempo corre e cristaliza os vícios! Quando li essa idéia pela primeria vez, não parei de usá-la em várias ocasiões para parecer sabido, ou melhor, para querer viver uma vida alcunhada, vida nomeada, portanto vivida como significativa. Depois, percebi a ironia da história. Não antes dos vícios, nem após tê-los emoldurados, dei-me conta de que o tempo corrido é desculpa esfarrapada. Tempo corre? Que maluquice é essa? De qualquer modo, não se pode depor contra a eficiência simbólica da motivação em se correr, porque o tempo corre; trata-se da cristalização da própria personalidade. Era uma vez o tempo cristalizando os vícios numa personalidade. E lá vou eu de novo em busca do tempo perdido. Enfim, o tempo corre. Cristaliza vícios. Gera matriz generativa. E chega o tempo de empunhar as ferramentas próprias para inventar o tempo, arborizar o Nome Dele, chamar para si todos os artifícios da nomeação. Modo de não esgotar o que se guarda em segredo. Manejo de vitalidade. Queria saber inventar mundos como Andréa.

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