Tuesday, December 25, 2018

Sem vestir a fantasia, não dá!

Descobri que você pode fazer as coisas da vida de acordo com a "normalidade" mais aceita, mas se você não reconhece a ordem dominante no plano público, ideológico, simbólico, você é banido mesmo assim. Você não é aceito pela normalidade aceita, mesmo seguindo-a, se você não a reconhece como digna de ser aceita sem contestação. A normalidade, portanto, é uma fantasia de ordem, só é respeitado quem veste a fantasia da ordem, mesmo que, na prática, alguém esteja muito mais distante das regularidades da ordem do que você, quem veste a fantasia é mais respeitado do que quem mantém regularidades no funcionamento concreto da ordem dominante. A efetividade de uma conduta em conformidade com a lei não garante um reconhecimento social de acordo com a Lei. A força do simbólico na estruturação dos grupos é tamanha que parecer em conformidade é mais importante do que estar em conformidade real, pois, sem reconhecer o padrão como universal, o real dessa conformidade não tem eficácia. Os que são reconhecidos como dominantes podem estar bem longe do padrão efetivo que apregoam, se não vier a público esse desnivelamento, essa defasagem, do que quem mantem maior nivelamento na prática efetiva mas em público contesta o padrão simbólico dominante, negando-lhe eficácia simbólica.

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