Thursday, December 13, 2018
Nem abraços, nem afetos!
Não gosto de tentar transformar universos organizacionais de trabalho em lugares de abraços e afetos. Acho inadequado. Organizações são lugares de disciplina, produtividade e construção de redes de poder e conhecimento. O abraço e o afeto se tornam coisas espúrias nesse ambiente. Não penso que o abraço e o afeto possam ser libertários, na verdade, se tornam elementos de controle da personalidade para fins de capitalização de posições de poder. Prefiro seriedade, formalidade e distanciamentos calculados. Não é o abraço e o afeto como performance de personalidade que irá superar o separado. A performance dos afetos é mais cruel e excludente do que os padrões de trabalho no sentido mais clássico. Os abraços e os afetos na organização são elementos de dispositivos neoliberais. Se pensar na organização como uma família, como um lugar de amigos, isso tudo me cheira a heteronomia e alienação. Prefiro minha inadequação permanente como sujeito não conformado a essas novas tendências de controle.
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