Thursday, December 27, 2018

Coisas que não se diz

Quando a gente cria os próprios filhos, a gente os obriga a se esforçar, cobra muito dos filhos que façam seus exercícios da melhor maneira. Um cuidado para que a transmissão de capital educacional seja eficiente, eficaz e resulte em impactos positivos para a reprodução dos quadros familiares como agentes empoderados. Isto é uma violência. Fundamentado numa violência simbólica. Mas quando recebo um educando que não vem da pequena burguesia, lá na universidade, que vem de um contexto que não funciona desse modo neoliberal, cobrar vira uma dupla violência simbólica e não cobrar, apesar de virar amigo, vira uma tripla violência simbólica. O sorriso, o abraço, o acolhimento, isso tudo vira uma grande violência escondida. A violência da exclusão simbólica. Acho que cobrar é mais honesto. É ainda violento, mas tratar com condescendência é mais violento ainda. Cobrar de quem não teve condição de estar no processo de reprodução da pequena burguesia é impor um modelo violento, mas não cobrar, deixar rolar, viver feliz na irmandade, é mais violento ainda. Aprendi isso com Florestan Fernandes e Pierre Bourdieu.

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