Thursday, April 12, 2018
Práticas autoritárias do cotidiano na universidade
Receber e-mails da instituição onde se trabalha com caráter abertamente ameaçador do tipo "faça, pois podemos puni-lo assim e assado e complicar sua vida e muito", em vez de e-mails de motivação para adesão subjetiva à tarefa coletiva do trabalhar juntos, é sinal de quê? Sinal de que o desejo de autoritarismo converge com a impaciência daqueles que exercem o desejo de mando face a problemas políticos de coordenação de esforços conjuntos. Se até as universidades cederam no cotidiano ao caminho fácil do "faça ou seja punido", imaginem em outras organizações, que não lidam com "educação" como missão principal. E os indivíduos que enviam e-mails sem corpo de texto, com algo em anexo, subentendendo uma transferência automática de responsabilidade, um e-mail que manda fazer algo sem usar uma palavra escrita para solicitar ou pedir ou justificar ou exortar, seja o que for. Simplesmente, o e-mail vazio, sem palavras, sem pronomes de tratamento, sem nomes, sem texto, só o e-mail com um anexo. É um sintoma grave da loucura nas organizações. Espaço de vazios. De impossibilidade de nomear o processo de transferência da responsabilidade. Sei lá mais o quê. Vazio que multiplica vazio. Nem respondo e-mail desse tipo. Aí param de me enviar por uns tempos. Depois voltam a enviar de novo. São os automatismos, as compulsões, as forças do "produtivismo". É o smartphone com desejo de mando automático, sem negociação de papéis. Sem política, sem aquilo que "atrapalha", sem subjetividade, sem recusa ativa.
Subscribe to:
Post Comments (Atom)
No comments:
Post a Comment