Tuesday, September 12, 2017
Pensamentos? Esparsos?
Cada família gira em torno do seu destrambelho. Somos escravos da linguagem. Lutar contra a linguagem é o ponto de partida. Gente de igreja carece de deus no coração. Olho para a biblioteca. Não terei tanto tempo assim. Entorno um café. Volto a ler. Sonata para piano, n. 28, opus 101, em lá maior. Segurança, ordem e felicidade. Um mercado de crenças. Quem for capaz de ofertar estabilidade, irá ser a bola da vez no mercado das crenças. Não há felicidade além da morte. A realidade é a presença infatigável da dor. É inclemente. Obtusa. Nem mesmo o silêncio são capazes de atentar. Não há mundo aterrador que o suporte.Estar meramente vivo, uma agonia sem fim. Uma desdita sem tamanho. Confrontar o espaço vazio. Uma relação com a loucura enternece. O vazio só é brutal. Distante da morte, não há potência no amor. Pessoas expressando ódio não estão demandando esclarecimentos. Há uma ansiedade generalizada diante da erosão das fontes de certezas. Todo amor tem preço. O preço do seu sofrimento. Afinal, qual o melhor lugar para morrer, na terra ou na água? E nada mais do que sua inclemência, um salto no irrespirável, pura fome. A cada dois reais, engolia uma vela acesa; que se lhe derretesse sem vestígio. O real disposto em camadas. A mais suave escondia a que lhe cortava submersa. A linguiça reaquecida, esturricada, crocante, lhe lembrava de suas perdas. Nem a porra de um promontório mais havia para lhe avivar o acre como fantasia. Uma cidade repleta de miseráveis, mesmo com os apetrechados. Abundante no vazio. Escondiam o segredo de que bem poderiam não amar ninguém. Um horror. Tinham perdido a capacidade de sentir esperanças. Não atinavam mais com nada. O fracasso oferecia a mais promissora ocasião para a emergência de alguma virtude. Seu maior objetivo na vida era poder renunciar à realidade. Já não sentia o desespero de seus rendimentos normais decrescentes. Pudera torrar a última nota de 20 reais em cerveja, assim, desgraçado, o faria. Uma pessoa que quase nunca atropela a agenda dos outros está a enviar recados, não? Nova versão da "tolerância": "respeito muito você, mas você não deveria existir". Agressivos apontam a agressividade do outro. Take a look at yourself, bro! Confessar e denunciar. Confessar e denunciar. O mantra moral contemporâneo.
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