Friday, September 01, 2017

Na profunda escuridão...

As pessoas que mais sofrem de ansiedade de status são aquelas que menos exigem de si mesmas. As pessoas que mais querem surfar no gozo ilimitado, esse imperativo do supereu, são as que menos fazem bem-feito o trabalho do desejo. Continuo achando que uma ética do desejo não funciona muito bem sem uma ética do sacrifício. O desejo não é uma abdicação, um abandonar-se, mas é o núcleo forte de um desejo que trabalha para desejar o desejo, fazendo do sacrifício uma história do corpo. A individuação e o deslocamento daquilo que ela enquadra exigem compromisso ético com a alegria e com a dor. Mas me percebo cada vez mais antiquado. Mesmo assim não desisto de mim. É na luta contra mim que algo faz sentido. Um luta que passa pela muito trabalho que merece o deleite de nosso desejo, da lei do nosso desejo, na forma de conquista de liberdade e prazer, enquanto o corpo erode, mergulhando na profunda escuridão de onde não há de sair.

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