Saturday, June 24, 2017
Notícias de Caxambu
O indivíduo é um efeito numa rede de poder. E a percepção segunda a qual o eu do ator social ocupa o centro das relações sociais é uma experiência frequente e ilusória. Um centro de poder precisa ser conhecido a partir de suas fragilidades e existem circunstâncias privilegiadas para que se possa realizar essa observação. Quando indivíduos marcados por uma sólida reputação profissional se aposentam, isso gera um problema intergeracional de transmissão de posições de prestígio, como signos das heranças disponibilizadas. Os que passam a ocupar suas posições veem-se subitamente alçados ao nada, quando o sistema é aberto, de modo que expressam a crise de posição pela ansiedade e pelo medo, mantendo, porém, esquemas fortes de trabalho para evitar a queda no ostracismo individual e a lembrança coletiva negativa de que são avatares mal-postos. Ficam por vezes silenciosos numa grandeza pesada demais. Há também os barulhentos e espalhafatosos recém-chegados que tentam oportunizar de modo agressivo o aparente vácuo. Mas não há vácuo, há apenas intermezzo. Eles erram por isso. Esses recém-chegados tornam-se arrogantes e se associam aos que demonstram grandeza porque ocupam posições dominadas no campo do poder.
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