Saturday, September 15, 2007

No plenário

“Imagina um guerreiro. Ele não quer sobreviver, ele quer viver. Ele não quer piedade, ele quer a vitória. Ele quer o vinho depois da batalha. Ele não quer a lágrima de suas mulheres na platéia. Ele tem a espada. E a arena tem a multidão gritando pela luta. Agora imagina a arena. O gueto, o tráfico nos becos, as armas e sirenes da polícia. Prostituição. Violência. Tudo bem próximo aos arranha-céus milionários, pontos turísticos, boates e night clubs da classe A. Entre o mar e a favela, onde se encontram os extremos do apartheid social, entre a compra e a venda de sexo, drogas e diversão. Imagina que o guerreiro é poeta. Ou cronista. Ele precisa trabalhar no limite, precisa alcançar a poesia sem perder o realismo da crônica. Ele precisa converter as decepções e injustiças em energia e força pra seguir lutando.

Precisa transformar o negativo em positivo. Então imagina um marginal com o porte de um rei. Ou melhor, imagina um rei que foi transformado num escravo, que se transformou num marginal, pra voltar a se transformar num rei um dia. Imagina a trilha sonora de guerreiros e guerreiras. Um som capaz de tirar eles do poço pra voltarem a ser o que são na verdade: reis e rainhas. Esse é o som do Costa a Costa”.

http://www.costaacostaonline.com/site.php

  1. “É impossível fugir à impressão de que as pessoas comumente empregam falsos padrões de avaliação – isto é, de que buscam poder, sucesso e riqueza para elas mesmas e os admiram nos outros, subestimando tudo aquilo que verdadeiramente tem valor na vida” (Freud).
  2. A população de Fortaleza é de aproximadamente duas milhões de pessoas. Existem 636.435 jovens com idade de 15 a 29 anos.
  3. 67% desses jovens vivem em famílias cuja renda não alcança mais que dois salários mínimos.
  4. 71,4% desses jovens percebem-se como não brancos, ou seja, reconhecem-se como mestiços, afro descendentes e indígenas. 14,4% desses jovens declaram que sua ascendência etnica ou cor pode ser definida como “só branca”.
  5. Esses jovens, em sua esmagadora maioria (91%), acreditam que podem mudar o mundo. E que a solidariedade, o temor a Deus, a igualdade de oportunidades, o respeito às diferenças, a dedicação ao trabalho e o respeito ao meio ambiente, são os valores mais importantes para uma sociedade ideal.
  6. 81,3% desses jovens consideram como muito importante o desenvolvimento de políticas de cultura, esporte e lazer em áreas públicas.
  7. Quando se trata de cultura e lazer,50,9% nunca foram ao teatro, seguidos de 22,4% que foram apenas uma vez. Isto significa que 73,3% dos jovens fortalezenses estão culturalmente excluídos da prática cultural ligada à linguagem teatral.
  8. 43,9% desses jovens nunca foram a um museu de arte, seguidos de 33% que foram apenas uma vez. Isto significa que 76,9% dos jovens fortalezenses estão excluídos da prática cultural ligada à linguagem das exposições de arte.
  9. 40,6% desses jovens nunca foram a uma biblioteca pública, seguidos de 28,6% que foram apenas uma vez. Isto significa que 69,2% dos jovens fortalezenses estão excluídos da prática cultural ligada ao uso de bibliotecas públicas.

  1. 24,8% desses jovens nunca foram ao cinema, seguidos de 15,8% que foram apenas uma vez. Isto significa que 40,6% dos jovens fortalezenses estão excluídos da prática cultural ligada ao circuito das salas de exibição cinematográficas.
  2. 57,6% desses jovens já perderam pessoas próximas em mortes violentas. Sendo que 59,3% desse universo a causa mote dessas pessoas próximas foi assassinato.
  3. 26,7% desses jovens declaram ter sofrido violência policial.
  4. 48,3% já tiveram contato com arma de fogo.
  5. Apenas 12,4% dos jovens fortalezenses estão cursando nível superior, completaram nível superior ou pós graduação.

Fonte: Pesquisa retratos da Fortaleza jovem. http://www.fortaleza.ce.gov.br/default.asp

Reflexões

  1. Violência é produzida pela falta de reconhecimento público.
  2. Violência é produzida pela invisibilidade e falta de oportunidades de expressão e comunicação.
  3. Violência é produzida pela negação de canais de constituição dos sujeitos sociais e culturais.
  4. Violência é sintoma de uma crise de projetos coletivos envolvendo democracia e participação.
  5. Violência é sintoma da falência de projetos políticos centrados em arte, ciência e cultura.
  6. Violência é sintoma da impossibilidade de se encontrar oportunidades de viver uma vida que possa ser considerada digna e significativa do ponto de vista dos sujeitos sociais e culturais.
  7. Violência é a ausência de geração de emprego e renda em conexão com os valores da sociedade da informação, do conhecimento e das novas tecnologias.
  8. Violência é a negação do outro como sujeito de desejos, de direitos e de deveres para com a coletividade.
  9. Violência é a frustração derivada das negações sistemáticas de realização pessoal, familiar e da cidadania pelo reforço perverso das práticas de autoritarismo que restringem de modo criminoso as liberdades e a criatividade das pessoas.
  10. A violência não é inevitável, não é uma fatalidade, não é algo inescapável, pois a solução do problema está em nossas mãos, depende da nossa decisão em envidar esforços para a circulação livre e democrática da riqueza socialmente produzida. E as fontes da riqueza hoje são conhecimento, informação e participação democrática em decisões que afetam o macrocosmo e o microcosmo das nossas relações interpessoais.

Leonardo Damasceno de Sá

Fortaleza, 15 de setembro de 2007.

1 comment:

Simone Lima said...

beibe, por conta de nosso ofício, sem andar por aqui... sem atualizar meu blog também, enfim!!! mas eis que deparo com esse texto inspiradíssimo!
bom demais.
beijo grande
S/