Saturday, November 25, 2006

condição humana

os olhos ágeis, as pálpebras em treliças venezianas, acompanhavam a coxa de galinha esgrimando na mão pequenina e delicada. Mercedez mirava intermitente a sua própria habilidade de humano. Não parecia ser sua mão. Nem mesmo seus, o apetite, a voracidade e a esperteza de criança lépida, inteligência imbatível pelos melhores videogames. Treinadíssima por Cecília Meireles. Mas, enfim, ela estava se sentido diferente por esses dias. Tudo parecia flutuar em sua imaginação. Nada se aquietava a sua frente, muito menos seus próprios movimentos e trajetórias. Enquanto almoçava, sua avó surgia vívida entremeando os meneios dela com os seus, com presteza de dilúvio, arranjava nesgas trinchadas sobre a pequenez do prato de plástico. quem era sua família? eram as mulheres que nasciam de dentro da barriga das outras, deixava a idéia escorregar com o pingo de óleo do couro da galinha. o couro, afinal, ela não comia. Mamãe e papai haviam-na instruído sobre o que é saudável na vida, graças a deus...a boca trabalhava com nacos suculentos de carne branca. a carne da cocó. ah! cocó! Estancou de repente. paralisados todos os movimentos. Olhou para a avó, trespassando-a, e afirmou em tom de descoberta: "a gente mata os bichos pra comer". Ciente da condição, potencializada pela própria aventura humana, voltou a comer como se nada tivesse acontecido. Como diria sua bisavó "as casas ainda estão todas sobre a terra".

1 comment:

Simone Lima said...

legal... essas referências lúdicas e vorazes.
passa lá no blog, pus algo também.
bjo