Wednesday, October 11, 2006
menu do teatrro mágico
viver sem planos, au jour le jour, expectativas beirando o rés do chão, sem verticalidade, sem espírito ou transcendência que o valha, tipo sexus, nexus, plexus? o que eu faço do meu ascendente? O que eu faço da minha inconseqüência? movimentos da alma a partir do solado dos pés? miríades de sensações, pele com pele, sem personalidade, sem fortaleza, só na praia? e quando a doença se fizer ingrata presença? amaldiçoá-la? e o prazer do céu e do sol? Não, nada de imprecações! é proibido fazê-las. sejamos alegres. pessoas alegres e libertinas. viva a memória de peixe! um dia é um dia de gratuidade, de sol e gratuidade. de graça, sempre de graça, o sorriso e a praça, a escuridão e o penacho de pavão na orelha débil, imprecisa, intransigente a todo ruído, na perigosa veia de antão, antes da vaga morredoura, nascedoura, no pranto brumoso, prateado, da manhã, qual delas? de todas as manhãs. todas, sem hierarquia, sem exceção, na dissolução aniquiladora. tudo assim, simples e sem alicerces. nada de reboco e alvenaria. tudo na palha fumegante do sopro de dentro para fora, do vento vindouro, mártir, do nadinha de vaidade, orgulho e poder. só preguiça, sono e falta de dinheiro. nem tudo pode ser. é possível aceitar? fazer o possível se alargar sem atualizações? sem aplicativos? foda-se o arranjo, eu sei. os arranjos matam mais do que as idéias são capazes de queimar os outros. a alteridade que me faz transigir, querer ser bom, outro bom, outro bem, um querer bem de um instante de fragrância. como baunilha na infância. o mundo gira, corre léguas, sem sair dos dois pés juntos à anágua de madame viagem do corte separado.
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