Sunday, October 29, 2006

epifanias

Quem nesse mundo fala a nosso favor? Disparates melódicos? Seria muito bem-vindo, numa demão de humanidade, emanar o fátuo, irradiar as horas, distorcê-las. Conquanto, no estrépito dos garfos e facas, o renitente fremir do nada, da filha da putice alheia, como estimulativo, delonga o parque de emoções de queimar o estômago. De deixar o bicho cego. Imprestável e nato. Nada de ouvintes inaugurais, somente o seco do agastamento das primeiras e últimas piedades, um marfar-se à toa. Nada se exprime melhor do que a crueldade de uma coletividade estéril e inculta, bailando na mascarada da insatisfação; impregnada do bocejo melodramático de ser outro, a quem não se pode querer ou pedir comiseração sem podar o que se tartamudeia em espécie barata, de saco de pipoca de isopor; prata barata de partir com bala de sereno, na imaterialidade, no taticumã da alma. E a clientela de vigarices improvisadas ri debalde. Quem chama o mata-barata? Mata-cobra? Mata-cavalo que o valha? Quem escrutina o sabichão de plantão no último empréstimo? Virado nos olhos de áuspice, quebranto não me deixa mover pernas, nem braços, balbuciando com os sentidos torpes, melhorados pela miopia, pela desfaçatez de fornecer comida aos aleijados psíquicos como eu, meus semelhantes, improváveis, doces e bêbados, e assim expulsar de si os vigorosos males da coragem, do orgulho e da benevolência. Tudo se passa como se o momento fosse lúdico, e, na verdade, os incompreendidos são felizes, sem alegria nenhuma, devastados pela narcotização do nada, filhos da puta blasés, onde pararam suas máquinas de produzir decências entremeadas, metamorfoseadas no canto, na sinuca de bico? Melhor seria pintar os cabelos de outra cor, renovar os fios da acrimônia, impingi-lhes nova adversidade, campo de desafios sem colaboração com seus algozes. Sem ceder à medíocre malevolência de quem vive de limite em fuga.

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