Monday, April 22, 2019
Essa velha desgraçada!
Quando vejo pessoas muito jovens, sem posição e sem garantias, entrando em competições acirradíssimas alimentadas pela ideia de serem percebidas como o jogador mais agressivo num jogo de vida ou morte que não leva a lugar nenhum, que apenas aplaca a sensação de não ter direito a existir, me entristeço bastante. E o pior é quando tais jogos neoliberais são incitados por pessoas não tão jovens, mas que se excitam em ver jovens competindo desesperadamente entre si. Esse lance se generalizou de tal modo que uma multidão se aferra a eles, mesmo sabendo que são jogos sem futuro, que só levam ao adoecimento e à morte. Mas nada os faz parar. Seguem intrépidos e maldosos. Do nada em que estão ao nada que continuarão sendo. Apenas a ilusão de poder, essa velha desgraçada.
Esboço de autoanálise em pedaços
De 1979 a 1992, estudei em escolas que já eram organizadas segundo o novo modelo da escola-empresa, da escola neoliberal. Agora que estou me dando conta de que o neoliberalismo é um habitus, não é apenas uma ideologia, é um campo de práticas e de estilos de vida. Eram escolas utilitaristas, voltadas para "a vida", aprender para a vida. Habilidades e competências para o mundo prático da concorrência econômica. Os motivos da cidadania e da emancipação também estava presentes, afinal, não há modelo puro. Não tenho notícia de nenhum ex-colega que esteja desempregado ou que tenha sido assassinado no mundo do crime ou pela polícia. Quase todos os meus ex-colegas, dessas escolas particulares das elites, são alguém na vida: médicos, engenheiros, advogados, juízes, empresários, grandes comerciantes, diplomatas, promotores, são pessoas que falam várias línguas e viajam pelo mundo todo. Não tenho memória de colegas perdidos, acabados, destruídos. Um ou outro que se matou, no máximo. Um ou outro que vive em depressão profunda, no máximo. Um ou outro que pirou ou saiu fora dos eixos do comportamento adaptado. O restante é tudo competitivo, operacional, liberal, integrado, adaptado, com acessos de mercado a bens e serviços de classe média alta. Lembro que eu estava entre os pobres da turma, os que precisavam rebolar muito para estar lá. Pagar a mensalidade era o maior sacrifício dos meus pais. As mensalidades eram caríssimas. Meus dois filhos estudam no mesmo tipo de escola que eu estudei. Não há notícia de mortos e feridos a bala. Os ferimentos e os mortos são pelo apagamento psíquico. São indivíduos que entram em parafuso diante da demanda enlouquecedora da escola-empresa. Brasil, um país de profundas desigualdades que se mantêm ao longo do tempo. Parece que nada muda.
Monday, April 15, 2019
sociologia e neoliberalismo
Recebi um comunicado da escola do meu filho, sugerindo uma conversa com pais sobre "neurofelicidade", sobre o poder do indivíduo biológico de criar o bem-estar, sobre a felicidade como uma escolha adaptativa. Isso do filho mais velho, já do mais novo, recebi uma mensagem sobre estratégias para fazer o enfrentamento da impermanência infantil. Como favorecer processos adaptativos à realidade da organização. Adaptação ao trabalho de equipe e aos quadros normativos, cognitivos e emocionais da escola-empresa. Interessante como tema de pesquisa, né? Já vou usar isso na disciplina sobre teoria sociológica e neoliberalismo.
Sunday, April 14, 2019
A integração perversa e marginal
Alimentar a ilusão de que se é integrado, adaptado, classe média e uma pessoa de sucesso. Uma tragédia sem fim. A integração é perversa. A exclusão é marginalmente relacional. A recusa ativa da adaptação comportanental ao imperativo do gozo normalizado infinito é um ato político. Recusar o que todos desejam ao mesmo tempo. Recusar o existente. Isso não é teoria pela teoria, é condição de liberdade.
O tempo da dor
Chega um tempo que a gente aprende alguma coisa, não muito, mas alguma coisa. Por exemplo, a tentar fazer o deslocamento da dor, pois a dor não pode ser simplesmente apagada ou superada, precisa ser deslocada, criar um novo contexto para uma velha dor. E as novas dores? São tão velhas quanto todas as outras. A dor é um lance primário. Ela é primária, matricial. As imagens mais antigas de dor são as mais recentes na ordem do dia. Um retorno à dor é uma condição de seu deslocamento.
1973 - o livro
Homens da minha idade ou quase estão cada vez mais se aproximando no dia a dia para alguma conversa. Eles me olham e se reconhecem em mim. Os homens de 1973, por exemplo, como o Carlos Augusto ou Sergio Veleiro. Esses homens anônimos que me abordam nas ruas, nos bares, por onde estou passando, fazedor de pesquisa de campo que sou, me contam suas histórias, suas vidas despedaçadas, seus recomeços, seus dilemas. Falam usando as mesmas referências que eu, mesmo quando de estilos outros, e aí falam mais e mais. Estou gostando de fazer essa pesquisa existencialmente significativa. Penso em um dia escrever um livro sobre isso. Mas não agora.
Memórias musicais
Uma pesquisa que tenho vontade de fazer é sobre o processo de envelhecimento do músico profissional. Esse pessoal que trabalha de um modo incessante, pulando de uma apresentação para outra, por vezes, três ou quatro num dia, o modo como eles se percebem e percebem seu meio. Há um sofrimento social muito específico do músico envelhecido, um sujeito que já tocou muito, já se dedicou demais e muitas vezes fica ali refém de um show para uma plateia indiferente. Às vezes, o cara é fodão, já tocou com grandes nomes, mas ninguém sabe, está ali invisível. Quando eles notam que você está prestando atenção, eles se comunicam com você, mostram que são virtuoses, coisas interessantes. Ainda vou fazer essa pesquisa com pessoal que trabalha nos bares e restaurantes. Vida de músico não é fácil. É muito trabalhosa, incerta, com baixos ganhos, fragmentada. Históricos de separação, de uso abusivo de drogas, de não ter onde morar, de ficar vivendo de favor. Memórias de alegrias passadas. Saudosismo. Coisas interessantes de ouvir.
Sunday, March 31, 2019
Problemas políticos do país em 2019
Quando pessoas da sua própria família apoiam a tortura e dizem desejar que você seja um próximo desaparecido, a gente entende que família não é uma coisa natural, que família é quem nos ama e a quem amamos. Quando eu tinha 16 anos, começando minha vida como educador popular, meu pai me disse que era uma imbecilidade querer conscientizar quem estava satisfeito em ser subalterno. Ele disse que eu deveria era reforçar que os pobres aceitassem ser pobres, que querer conscientizar os outros era perturbar a vida de quem estava se sentindo adequado, adaptado, que eu não tinha o direito de perturbar as pessoas. Hoje, meu pai não fala mais comigo, ele rompeu comigo de modo unilateral, disse que não sou uma pessoa de bem para os padrões bolsonaristas de ser. Ele me deserdou, disse que eu não usasse mais o sobrenome dele, não fala mais com os netos, disse que ninguém seria mais bem-vindo na casa da minha avó e do meu avô lá no sertão. Se meu avô e se minha avó estivessem vivos, ele não diria isso. Meus avós não permitiriam tamanha burrice. A guerra é na família. Não sou mais aceito entre primos, tios e parentes paternos, que são bolsonaristas, fui excluído, nem posso mais ir no lugar que eu adorava ir, na casa da minha avó, que já se foi, lugar que era recebido com carinho por ela e por meu avô. Tenho fotos do meu avô comigo no braço, super feliz, contente, mas meu pai me proibiu de ter essa memória. Me deu ordem de sair de lá. Nunca imaginei que isso fosse acontecer na minha vida. Nunca imaginei que seria rejeitado pelo meu pai em nome da família Bolsonaro. Isso é ou não é uma grande merda? Meu filho caçula tem um avô vivo que não quer vê-lo mais. Como vou explicar para meu filho que o avô dele é um bolsonarista que se recusa a aceitá-lo como neto, pois não me aceita como filho? Meu filho mais velho sabe lidar já com isso, tem 16 anos, está por dentro, mas e o meninozinho? Como vou explicar isso, que ele não tem avô? Que ele foi rejeitado juntamente comigo pelo fato de eu ser contra o bolsonarismo? É em nome de Jesus que nos rejeitam e nos maltratam, nos torturam e nos matam. Usam armas com as mãos que apontam contra nossos corpos, dizendo que estamos condenados a morrer, a desaparecer, e fazem isso em nome de Jesus. Nunca odiei tanto Jesus. Esse filho da puta que aponta armas para nós. Quando escuto o nome de Jesus, lembro das armas na mão. Não dá para tergiversar. Foram atuantes em eleger o cara e agora ficam escutando música gospel cuidando da espiritualidade como se não tivessem nada a ver com nada. Que escrotice! São uns escrotos. Falou em nome de Jesus para mim, é inimigo. Nunca mais perdoarei esses imbecis das igrejas. A maioria, alguns se salvam, mas a minoria que é diferente confirma a regra. Jesus é o inimigo com a arma na mão. Jesus é meu inimigo. É satã! Deu pra entender ou quer que eu desenhe? Uma vez meu pai me disse quando eu era criança: "se você estiver no fundo de um poço e eu não tiver como te tirar de lá, eu pulo e lá ficarei contigo, ao teu lado". Era mentira. Que mentiroso filho da puta. Preferiu ficar com a família Bolsonaro. Nem ao enterro dele, irei. Nem que ele venha ao meu. Velho babaca! Vou tentar não ser um pai tão idiota.
Não faz bem para a saúde
As pessoas que chegam muito arrogantes num ambiente novo, onde elas são as recém-chegadas, sofrem muito, mas muito mesmo. Ficam isoladas, sem acesso às informações fundamentais que fazem funcionar as coisas. Cometem erro atrás de erro, mas ninguém ajuda, pois dispensaram desde o início ajudar e ser ajudado como uma prática de cooperação. Não recomendo cometer esse erro mais de uma vez. Não faz bem para a saúde.
Fotografia na biblioteca
Sou o tipo de pessoa que adora tirar fotografias na biblioteca, mostrando livros. Quando vejo as pessoas criticando quem tira foto de si com a biblioteca ao fundo, eu me desespero. Começo a delirar, afinal, se tiram isso de mim, não sou nada. Meu direito a existir está centrado numa foto pessoal com uma biblioteca ao fundo, é minha boia salva-vidas num mar tempestuoso, sem o que, afogaria em dois segundos, perderia meu direito a existir, que é isso, mínimo e reduzido. Nada mais do que isso, uma foto de mim com uma biblioteca ao fundo. Não quero mais mais nada, eu juro! Je vous en prie!
A borboletinha
Estou ensinando para meu filho de dois anos o que é a morte. Conversamos sobre a borboletinha que apareceu morta no chão da cozinha da nossa casa. Ele já está aprendendo que existem duas expressões diante da morte, uma mais objetiva, "ela está morta", mais científica, e outra, "a bichinha morreu". Também a gente examina junto se ela morreu de morte natural (velhice) ou morte acidental (o calor da lâmpada da cozinha). Mas ele já sabe o que é a morte. Ainda bem, pois saber disso é condição para amar a vida.
Friday, March 22, 2019
14 horas por dia
Por que eu trabalho 14 horas por dia? Porque 4 é obrigatoriamente de leitura, de estudo. Me recuso a expulsar do meu cotidiano profissional aquilo que é a razão da gente existir. O professor e o pesquisador estão na condição de estudante profissional permanente. Nunca aceitei aquele lance: não tenho mais tempo para estudar. Para evitar então choque com outras demandas profissionais, que são muitas e variadas, estabeleci minhas 4 horas sagradas, que ninguém mexe, pois afinal estou deixando 10 horas para o restante das atividades. Nosso regime é de 40 horas semanais, mas meus colegas e eu trabalhamos todos os sábados e alguns domingos. Fiz um levantamento e pude observar que a carga horária da gente efetiva fica em torno de 60 horas semanais. No meu caso, fica em 84 horas semanais. E de vários colegas que conheço também. Apenas uma minoria adota a postura "menos trabalho possível", "menos que o mínimo". Inclusive, ninguém gosta dessas pessoas, ninguém as respeita, pelo menos, as que trabalham muito, que são a maioria. Então, não procede o preconceito de que o professor da universidade trabalha pouco. Não corresponde à realidade dos fatos. Agora, se trabalham bem, com qualidade, aí é outro debate. Faço um apelo que não façam circular nesse momento que a universidade está sendo atacada a ideia de que a gente é "privilegiado" que "não trabalha" etc. Isso é um tiro no pé, pois a condição de trabalho do professor da universidade funciona historicamente como referência para a luta. Se a referência cai de padrão, o patronato adora, pois em vez de dizermos que a categoria precisa ser elevada às condições mínimas das universidades, a gente diz que quem está na condição mínima tem de cair para se igualar por baixo, ficar na situação intolerável de precariedade e vulnerabilidade da maioria dos professores. É uma discussão complexa, mas exige de nós uma reflexão, pois alianças são mais bem-vindas nesse momento de desrealização social geral.
Sunday, March 17, 2019
O show de horrores
Acompanhar as explicações e as justificativas dos indivíduos sobre qualquer assunto é observar uma fragmentação muito forte cujas parcelas mais idiossincráticas são correntes muito amplas de opinião de massa. O comentário individual parece ser de cada um, mas não o é, é uma variação de correntes massivas. O massivo capturou a nova mídia? Não pesquiso isso, foi só uma impressão mesmo.
Monday, February 25, 2019
Um drama terrível
O trabalho no campo acadêmico é de formiguinha. Devagar e sempre. Não combina com apoteoses do eu. O trabalho é em rede, é coletivo, cooperativo. São muitos anos exigidos para obter uma formação mínima aceitável pelo campo. Depois, mais anos ainda para dar início a um trabalho que tenha um plano de consistência e alguma relevância. As ansiedades de status apenas atrapalham. Em geral, são demandas de reconhecimento que as pessoas trazem de outras dimensões existenciais para o campo, um lance transferencial. O importante é permanecer durante 40 ou 50 anos de trabalho, sendo reconhecido como um interlocutor válido pelo campo. As subidas bruscas são quedas bruscas, pois assentadas em projeções imaginárias. Não há lugar para show do eu. Mas, infelizmente, é só o que tem. Quando lembro a rapidez com que pesquisadores que eram superpoderosos e impávidos nesse show do eu foram esquecidos após a morte, mesmo tendo obra relevante, fico mais convencido de que é preciso ter calma e não perder tempo com as projeções de sucesso e poder que são as tolices básicas do eu que se pensa como isolado e no centro da vida social. Pessoas que foram submetidas a condições sociais existenciais de muita humilhação e estão tentando romper com isso, sair de uma posição de vergonha socialmente imposta para uma de orgulho de si, acabam tendo muitos problemas com os contextos de trabalho que exigem cooperação e "humildade". Esta palavra ambivalente faz com que qualquer posição de humildade seja remetida às condições de humilhações já sofridas, de modo que as pessoas ficam reativas e não aceitam entrar num jogo que consideram que não foi feito para elas, mas para excluí-las. Começam a agir de um modo que passa a ser interpretado pelo coletivo como arrogante, pois para compensar os déficits de reconhecimento social as pessoas usam fantasias de realização que estão pouco ancoradas na realidade do campo. Começam a viver epifanias, celebrações de si, tudo com tom fortemente motivacional e, portanto, comovente, celebrações imaginárias de uma vitória que foi sair da invisibilidade a que estavam relegadas. Mas aí acabam se excluindo, pois não admitem qualquer prática de trabalho que as coloque em posição de ter que trabalhar fazendo coisas miudinhas que toda profissão exige, aquele sacrifício de si que todo ofício exige, pois os fantasmas estão lá para assustar, que assumir posições que não são apoteóticas é se submeter ao regime de opressão do qual se foge. E aí vão ficando pelo caminho, sendo efetivamente excluídas. Os que vão sendo assim excluídos vão se identificando nessa exclusão e se tornam profundamente ressentidos com qualquer coisa que esteja funcionando no campo que os excluiu. É um drama terrível.
Sunday, February 24, 2019
Compulsória compulsória
A ideia da aposentadoria compulsória aos 75 anos, se a saúde me permitisse, já estava em meus planos. Mas perder, na prática, o direito a uma aposentadoria voluntária não estava em nossos planos como categoria. De fato, nossa compulsória poderia até ser maior, poderia ser 80 anos, pois há cientistas e professores muito capazes nesta idade, em geral, são os melhores, dependendo da área. Estou lendo as coisas para tentar entender. Mas é um lance muito complexo. Precisamos estudar essas propostas.
Saturday, February 23, 2019
Trabalhadores
Ontem, conversei com trabalhadores (três homens), 1 a 2 salários, terceirizados da universidade, uma roda de conversa em pé, quando terminei minha aula às 21h40, me chamaram para um papo, eles estavam assustados. Muito temerosos. Relatando as perdas que sofreriam e como isso afetaria suas vidas. Insatisfeitos com o governo. Queriam saber minha opinião. Fui dormir um pouco melhor. Quando um trabalhador assalariado hoje expressa insatisfação com os governos e as empresas, fico tão alegre. É tão raro. A maioria dos que possuem o perfil deles se expressa como se fosse membro da classe rentista e da cúpula de altos executivos globais, mesmo não tendo nada, falam com uma linguagem que não é a deles. Quando o trabalhador usa linguagem de trabalhador, chega me dá um arrepio na espinha. Alguma esperança há. Eu tinha dado aulas de 14h até 21h40 sem intervalo. Fiquei conversando com eles de 21h40 até 22h10. Foi a melhor aula do dia, inesperada. Mesmo eles sabendo que ganho muito melhor do que eles três, que a minha perda com a reforma é a metade do salário deles, eles conversaram comigo de igual para igual. Foi massa. Mas se a gente entrasse em outras pautas, as identitárias, direitos humanos, provavelmente, seria um desastre. Esqueci de dizer que eles sabiam muito mais detalhes técnicos e precisos sobre a reforma da previdência do que eu, não era isso que eles queriam de mim, eles queriam que fizesse uma interpretação da conjuntura para saber se batia com a deles.
Capital agradece
Multidão de pessoas muito excluídas tendendo a apoiar a perda de direitos dos poucos, muito poucos, precariamente incluídos, estou falando da base. O capitalismo toma seu uisquinho vendo o circo pegar fogo. Vendo que dá para arregimentar ressentimentos para nivelar por baixo a estrutura do trabalho escravo assalariado. O capital agradece pelas concorrências mutuamente destrutivas dos segmentos infraclasse dos assalariados. Só que miséria não faz revolução. Quem com ferro fere com ferro será ferido. Serão muitos os ferreiros autoferidos sem o saber. O trabalhador hoje se odeia tanto que aceita o argumento ultraliberal de que aposentadoria é um assunto estritamente privado. Tem quem capitalizou e ponto final. Esse entendimento é um suicídio coletivo. Os bancos e as grandes empresas não costumam agir assim. Estão sempre desejando a garantia do Estado que só pode ser para eles o provedor para o sistema do capital em detrimento do trabalho vivo. Parte considerável da classe trabalhadora está se identificando com a reforma da previdência. Isso é bem assustador. Dizem que a reforma é contra os ricos. Mas ser contra os ricos não é coisa de socialista? Estou entendendo mais porra nenhuma. Qual ataque robusto aos gastos públicos o governo vai fazer quando o assunto é dívida de grandes empresas? É isso que querem silenciar. Que os gastos públicos para grandes empresas vai aumentar. Mas geram empregos, não é? É assim que a massa responde. Tudo cada vez mais na mais perfeita harmonia. O governo com apoio do povo anula qualquer contradição. Pagando para ver.
Wednesday, February 20, 2019
As estrelas antes da hora
Indivíduos que começaram a agir como estrelas antes de terminar a formação sofrem com ansiedades agudas de status. Em geral, desaparecem do mapa. Ninguém sabe, ninguém viu. Tão comum isso. Entram imaginariamente e portanto não saem, pois não entraram. Não foram sequer admitidos mas gozavam ilimitadamente num lugar inexistente. Muito triste isso. Se autonomear estrela é não entender que o sujeito é o campo.
Tuesday, February 19, 2019
Ninguém sabe, ninguém viu.
Indivíduos que começaram a agir como estrelas antes de terminar a formação sofrem com ansiedades agudas de status. Em geral, desaparecem do mapa. Ninguém sabe, ninguém viu. Tão comum isso. Entram imaginariamente e portanto não saem, pois não entraram. Não foram sequer admitidos mas gozavam ilimitadamente num lugar inexistente. Muito triste isso. Se autonomear estrela é não entender que o sujeito é o campo.
Monday, February 18, 2019
Os outros são os outros
Escondem a verdade do que aconteceu e depois se vitimizam. Não deixam ninguém saber que foram irresponsáveis e sem compromisso. Que não valorizaram a oportunidade de realização. Mas quando se vitimizam, comovem a todos. E ainda conseguem demonizar os outros. São perversos. Encontrar com gente assim é sempre uma lástima. E há uma multidão a dar guarida. São falsos e oportunistas. Possuem duas faces ou mais. Sorriem para você e te detonam onde e como puderem. Se aproximam quando precisam de algum suporte ou apoio. Se distanciam quando chamados a assumir responsabilidades. Fazem um leva e trás de fofocas e informações para atiçar relações de guerra e inimizade. Sem comprazem em ver o circo pegar fogo. São traiçoeiros. Sentem ódio e são ressentidos, mas vestem a máscara de abraços e simpatias quando encontram por aí quem detestam. Aprontam escrotices, mentem, se esmeram em prejudicar o que quer que vejam funcionando bem. Boicotam, envenenam relações, atuam como agentes de discórdia. Fazem o mal e fingem que não sabiam de nada. Montam estratagemas de exclusão de possíveis concorrentes. Escondem informações. Fogem do trabalho sério. Vivem se escorando nos outros. Pegam carona no resultado de quem trabalha, como se tivessem contribuído, quando nada fizeram. Vivem costurando redes de apoio às suas atitudes sacanas, se pintam como santos perseguidos. Mas quando percebem que vão ser punidos pois desmascarados ficam apavorados. Começam a chorar se fazendo de pobres coitados, o que no fundo são.
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