Friday, March 17, 2017

Neca, nequinha.

Quem gosta de classe dirigente bandida é quem gosta de classe dirigente. Hoje, estou lembrando dos amigos que já morreram. Do sorriso deles. Os amigos que se mataram também merecem ser lembrados. A pouca loucura deles. Quem pranteia os que pularam da ponte? Suas idiotas pernas quebradas... Espatifou as ideias com um tiro na boca, aprendi muito com ele. Sobre música. Ela pulou de cara no chão, nenhum dente, nenhum nariz, nenhum amor. Pensava que apareceriam para segurá-la. Quebrou os dois joelhos e não levantou. A conversa com o vazio é a fonte da existência. Um nada de vida, neca, nequinha.

Sunday, March 05, 2017

Força leve

Quem defende respostas duras a qualquer problema, ou seja, uso da força bruta para resolver problemas, assina atestado de baixa perícia ou nenhuma perícia. Peritos usam o princípio inteligente da força mínima. Isso vale para qualquer área de atuação.

Faca de dois gumes

Sentir orgulho de si é uma faca de dois gumes. Pode ser instrumento de poder na luta por supremacia ou fonte de satisfação pela realização do trabalho bem-feito. Ocorre que esta satisfação também pode gerar hierarquias, reforçando políticas do Estado. Contudo, o contrário do orgulho de si é a vergonha, o oposto complementar que reforça esquemas autocráticos. Talvez seja por isso que o orgulho é percebido em várias tradições religiosas como uma fonte de pecado.

Sunday, February 26, 2017

Sem Jesus no coração, de boa!

No domingo de chuva pela manhã, ouvindo música e brincando com o menino, na maior paz de espírito, e sem Jesus no coração. Há muito tempo buscando construir uma boa vida, com arte, ciência, ética, honestidade, trabalho, alegria e sem Jesus no coração. Meu coração esvaziado de Deus realiza-se na boa vida secular e sem Jesus no coração vai seguindo de boa sem religião. Na paz. Queria deixar meu testemunho. Há 31 anos, vivo uma vida significativa sem Deus.

Wednesday, February 22, 2017

procrastinar

Entre cuidar das crianças e cuidar da carreira, dediquei muito mais empenho, tempo e dedicação, é claro, às minhas crianças. Por isso, procrastino no Lattes. O artigo só sai amanhã! (E o meu Lattes não é ruim não, viu?!) Foi a decisão mais acertada que tomei em toda minha vida, não colocar a carreira para a frente e a meninada de lado, para trás ou para baixo, o que é pior. Minha meninada vai sempre à frente e para cima, me ensinando o que é mais importante na vida. Não me comparo às mulheres, não há comparação possível. Não é essa minha intenção. Sei que amigos meus, homens, que optaram pela carreira a qualquer custo, e esse a qualquer custo foi abandonar os filhos à própria sorte, vivem tristes e deprimidos, levando uma vida culpada e fodida, não são reconhecidos como pais pelos próprios filhos. Vivem de muita droga e solidão. Sobre homens, eu posso falar. Fica meu testemunho.

Com procrastinação e sem perfeccionismo.

Minha demora em terminar os textos que estou a escrever não se deve ao perfeccionismo. Graças a Deus, não sofro dessa desgraça. Sou morto de preguiça, na verdade. Só consigo empregar energia obsessiva na leitura. Quando se trata da escrita, o desejo de fazer bem-feito não é uma obsessão, tanto é que um texto para mim não precisa estar perfeito para ser publicado, muito pelo contrário. Quando uma ou duas ideias legais se desenham, costumo abandonar o texto à própria sorte, sem querer exaustivamente fazer um texto excelente do começo ao fim. Esse tipo de narcisismo, eu não tenho. Também não sinto medo de ser julgado pelo colega, sentimento que trava muita gente. Simplesmente, deixo as coisas frouxas, para que a vida não fique unidimensional. Mas, aos poucos, os textos vêm vindo à tona. Mas continuo preferindo ler os textos dos outros a escrever os meus próprios textos. Não sou vaidoso? Sim, sou, mas minha vaidade está apenas na biblioteca lida, o que reverbera bem em sala de aula. Gosto muito de sala de aula. Os textos vêm depois. O ensino oral esotérico ou exotérico é mais desafiador. Devo isso a Platão.

Sem Jesus no coração...

Vocês sabem o que significa acordar sem Jesus no coração? Acordar sem Jesus no coração significa você levantar 5 da manhã, cuidar para que os filhos estudem bem, sejam amados, tenham bons acessos a arte, cultura e ciência, não estar devendo nada para a justiça, estudar e trabalhar, respeitar as leis que são justas e criticar as que não são, trabalhar 14 horas por dia com afinco e dedicação. Respeitar as diferenças, buscar dialogar e não julgar com arrogância. Enfim, ser um cidadão respeitador dos direitos, da vida cooperativa, do bem comum. Ou pelo menos tentar ser honesto quanto a isso tudo. Não ter Jesus no coração e viver uma vida eticamente orientada prova que Jesus não é universal. Que é possível se virar bem sem "Ele". É possível sim, concretamente, ter um estilo de existência eticamente e esteticamente orientado de modo secular, ser relativamente infeliz, sem ter Jesus no coração. Um salve à vida secular, que é muito significativa e interessante. Com arte, beijo na boca e cerveja belga, quando sobrar grana. A arte e o beijo na boca são gratuitos. Mas não são fáceis de se conquistar.

Saturday, February 11, 2017

An-arché.

Durkheim falava de pessoas irregulares, dizia que entre todas as pessoas irregulares as piores são as anarquistas. Dizia que a anarquista era muito pior do que o pior dos criminosos. Afinal, os criminosos são funções da ordem, são produzidos pela sociedade. Foi essa raiva do Durkheim a respeito dos anarquistas que me fez entender o que é uma "ciência social do Estado". Uma "ciência real". Sou amante das irregularidades. Tudo o que é irregular me atrai. Por isso, o roubo, a crueldade, o homicídio, a formação de quadrilha, ou seja, tudo isso que é normal, que faz parte da vida das pessoas regulares, são objetos de ojeriza para libertárixs. Por ser contra o crime, tornei-me irregular. Apenas o crime é regular. O irregular é a salvação da humanidade. Sejamos irregulares, lutemos contra as igrejas e o Estado, ou seja, contra essas facções criminosas do sistema partidário que em nome da Moral, da Família, da Propriedade, e demais excrescências, cometem as maiores barbáries. A civilização é a anarquia. An-arché.

Delfos

Acerco-me da racionalidade no plano da fantasia e do meu desejo no âmbito do trabalho. Onde estou? Em Delfos.

A busca indefinida

A busca indefinida do outro absoluto da razão é um mergulho profundo na dor da privação. De onde se pode emergir apoiado na força expressiva do pensamento.

Dizer não.

Ser capaz de dizer não às ofertas que os outros nos fazem é uma dimensão fundamental de negatividade das formas de dependência. Contudo, a autonomia e a dependência são vivenciadas simultaneamente. Isso torna tudo mais complexo.

Perdas e perdas

A tarefa política passa pela superação ou supressão das ambivalências dilacerantes que nos acantonam em dois polos de perda de experiência. De um lado, o isolamento. Do outro, a massificação.

Espíritos de merda, segundo AC

Os que estão mais abertos ao acolhimento, ao abraço, à festa, ao estar junto da comunhão de espíritos, ao dar colo para a carência alheia, fazem muito mais sucesso. Afinal, sentar a bunda na biblioteca e passar o dia todo lendo dificilmente vai ser uma experiência de apelo fácil, ainda bem.

De Antonio Elias para LS 1

Leonardo Sá. Querido amigo Antônio Elias, nesta segunda mais uma vez, apenas lembro do vaticínio do poeta: "E já não enfrentamos a morte, de tanto trazê-la conosco". Adoraria que ao longo da semana o amigo abrisse uma exceção para que pudéssemos tomar uma meiota juntos lá para as bandas do clube Santa Cruz. Conceda-me um território mínimo acuado, por favor. Abraço e mais esquecimento de tudo aquilo que circula e nos exige negociar. Antonio Elias. Meu caro Leonardo Sá, a despeito da eterna distância que parece jamais nos dar uma trégua, fazendo em nós permanecer uma força de um quase irresistível dilaceramento, tenho-lhe na mais alta das contas, como velho camarada que guarda os restos e os restos esquecidos de minha mais conspícua inutilidade, de minha irrisória dor, há muito abandonada até de mim mesmo. Isso de que não mais sabemos, se acaso tivéssemos, um dia, outrora já sabido. Podes perceber que até minha escrita atualmente cheira a creolina, prisioneiro que estou da imutabilidade desse presídio sem paredes, pois meus olhos já os arranquei, desprovendo-me da fortaleza do recinto que cremos habitar, como se estivéssemos em sua solidez, de toda, inexistente, um nada a nos proteger. Meu maior medo, sim, ainda me acometem certos pudores, certas afecções empáticas, uma lembrança de minha ex-humanidade, um grito, é que o amigo, ao encontrar-me, como lhe apetece, com seu jeito acolhedor de manter amigos à distância, que tão bem conheço, é, simplesmente, o meu maior medo, como dizia, que você se depare apenas com minha "máscara mortuária cheia de cicatrizes", e que seja tremendo o seu asco. Privo-me de sua companhia para não feri-lo com meu bem-querer, essa bela lembrança, incapaz que estou de estar simplesmente agradável como presença, fantasma que estou. Leonardo Sá. Segunda-feira não está sendo nada fácil. Estou em casa, fazendo uma revisão de um texto de 200 páginas para duas bancas amanhã, tendo que acompanhar a situação política sem parar de trabalhar. E o pacote da internet via celular que estou usando está acabando, vou ficar sem internet aqui no meu interior. E as ansiedades alheias trepidam e exigem respostas. Já sei, vou tomar uma cerveja para ficar pensando melhor, antes do almoço, que é muito bom; a a saúde mental do cidadão brasileiro agradece.

As circunstâncias

Nas atuais circunstâncias, estou pensando em deixar de ser eu. Permitir que as potências da dissolução façam seu belo trabalho. Mas nunca nos cabe tomar tais decisões, é sempre outro quem fala ou deixa de falar.

Friday, September 30, 2016

Nossa carência

"Por vezes, a carência que habita {noss}o sentimento de pobreza cultural periférica é o componente básico decisivo para que outras periferias possam performar o lugar do centro, essa fantasia de grupo. Centro e periferia não existem; portanto, são armas letais contra a atividade do pensamento." (SÁ, 2016).

Economia da pena

Talvez se possa afirmar que a imposição lúdica da educação como prestação de serviço é fortemente legitimada, pois gera uma estranha convergência. De um lado, permite reduzir custos, poupando aos públicos beneficiários uma economia de "penosas mediações dos processos cognitivos" (Sônia Salzstein). De outro, os públicos que vivem em condições de permanente precariedade são remunerados com novos acessos que compensam a impossibilidade de papeis de produtores tais como pensados na perspectiva da modernidade. Une-se o útil ao agradável. Põe-se o educador a serviço dos bons negócios em tempos de neoliberalismo.

Thursday, September 29, 2016

Uma aula que irá se repetir

Hoje, a aula de Estratégias discursivas de poder, para mestrado e doutorado em Sociologia, vai ser para discutir o impacto de Wittgenstein e Austin nos modos de pensar da Sociologia e da Antropologia. Reler Investigações filosóficas, How to do things with words e descobrir que não haveria Foucault, nem Bourdieu, sem essas referências. Aliás, Foucault é praticamente austiniano, pois Austin é nietzschiano também.

Fazedores de chuva

Há na aldeia os fazedores de chuva e os fazedores de texto. Faço parte deste último segmento de linhagem. Prefiro ler textos a escrevê-los. Fazer o texto é um sacrifício. É mesmo que tirar leite de pedra. Como invejo os que escrevem como Rachel de Queiroz, os que de uma sentada escrevem um texto perfeito e sem erros como fazia a prima de Pedro Nava. Graciliano era seu antípoda.

O sentido do Brasil

Gente, o álbum Depoimento do Poeta, de Nelson Cavaquinho, lançado em 1970, resolve o sentido do Brasil.