Sunday, March 04, 2018
O fim do território e da cidadania
Classes dirigentes e governos não têm nenhum interesse em se responsabilizar sobre espaços das periferias. A lógica da guerra contra a periferia é adotada num modelo similar à lógica da guerra do entrar, destruir e sair. A periferia virou para os agentes públicos do Estado e seus governantes uma zona de guerra. De guerra móvel. De uma guerra que não visa assumir o compromisso pela tomada de um território e nele construir um campo de administração pública. Isso está fora de questão. Então, a guerra tende a piorar, a ficar mais cruel, e, infelizmente, permanente na sua fluidez e falta de compromisso real. A periferia está relegada a ser cronicamente um espaço de abandono social e de guerra rápida cotidiana sem pretensão de obter responsabilidade pública pelo "território". Por isso, as leituras que se centram na questão do território estão defasadas. Não compreendem a nova lógica extraterritorial da guerra movida contra os pobres. Infelizmente, a busca por pressionar governos por políticas públicas tem gerado apenas um aquecimento do mercado de assessores e consultores de governos que não assumem a responsabilidade com essa busca. A demanda pela política pública virou mercado de assessorias e consultorias, mas não ação política coletiva contra as contradições sistêmicas e suas políticas públicas que não passam de terapias da pobreza, quando não o extermínio de pessoas classificadas como indesejáveis do ponto de vista dos próprios vizinhos, que as terapias da pobreza acabam por legitimar.
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