Monday, July 28, 2014

Duchamp e Cage jogam xadrez eletrônico

A problematização da arte não pode voltar a ser pré-Duchamp. O lugar de poder que se escolhe para colocar o objeto "de arte" é mais decisivo do que a obra. Se a gente quisesse ou pudesse prestar um pouco mais de atenção a algo que não seja o campo do poder das oligarquias governamentais, teríamos problematizado a problematização que Marcel Duchamp e John Cage fizeram quando estavam jogando o xadrez eletrônico, né? Mas a gente quer mesmo é ir para onde o campo do poder consagra, infelizmente. E, felizmente, nem todos. Mas os bicos continuam calados, exceto quando vão se divertir com os assessores de governo. Não há nada pior do que o elogio protocolar. Em vez de se fazer crítica política, se faz o sentido fantasmático da autoridade. Hegemonia é fazer com que os opositores falem a linguagem do espaço institucional de modo espontâneo e natural. Eu prefiro ficar no Facebook do que habitar o templo dos assessores do governo. Eu prefiro ficar nesta merda do Facebook do que ir para qualquer merda governamentalizada, que faz a merda cheirar mais mal do que normalmente cheiraria, principalmente, em tempos de eleições, onde qualquer evento nos templos dos assessores do governo é pior do que a Igreja Universal do Reino de Deus. Mas desta, pode-se falar mal à vontade, né? Não é cosmopolita nem astral.

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