Wednesday, September 18, 2013
Fatos da vida
Era uma vez uma mesa de bar que não era a minha. Um playboy brother meu insistiu tanto para eu ir, fazia décadas que me chamava, que eu acabei indo. Era num bar temático: torcedores do Ceará. Eu sou torcedor do Ceará, então, não me incomodou este aspecto identitário. Cheguei de bermuda e chinela japonesa e camiseta branca, como sempre. Os caras estavam lá de rolex, iphone, quase passeio completo. Achei estranho, pois o bar vendia frango assado, as mesas sobre a calçada, desrespeitando o estatuto da cidade, os banheiros sujos e a comida ruim. Mas, enfim, quem sou para julgar as coisas, né? Aí continuei lá ouvindo os papos. Sou etnógrafo, entende? Escuto tudo. Lá pelas tantas chegou um playboy, passado nos panos, foi cumprimentado como grande amigo por todos, com abraços e frases do tipo: "macho, senta aqui e pega na minha!". E eu só observando, bebericando minha cachaça, tirando o gosto com a gelada. Na hora que o cara chegou, outro cara, que tinha lhe dado um senhor abraço, aqueles abraços entre amigos que o playboy senta no outro, e logo na sequência se levantou e se despediu de todo mundo, dizendo que tinha que ir nessa, levar a mãe para a missa. O playboy não esperou nem o outro botar a carteira, a chave e o iphone sobre a mesa, partiu ligeiro, no foguete. O playboy que era meu brother, lá no banheiro, enquanto mijávamos lado a lado, me deu o toque: cara, o outro lá que saiu da mesa foi comer a mulher do babaca ali! Ela já tá la esperando, e a gente segura o corno na mesa. É assim toda semana. É a alegria da pobre! O mundo do playboy é limpo, né? Fair play! E viva o Ceará Sporting Club. Esse mundo Cid de ser. Viva o Ceará!, eles gritavam brindando amigavelmente com o amigo corno.
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