Monday, June 10, 2013
SOBRE MONSTROS MORAIS DA CLASSE CULTA E INSTRUÍDA
Estou percebendo membros da "classe instruída", expressando cada vez mais um irracionalismo fascista dirigido ao todo, ao mundo, ao governo, aos adversários do governo, quando o problema por trás dessa expressividade de raiva e ódio que ocorre no conforto das redes sociais virtuais parece ser mais efetivamente o sintoma do tédio, da neurose. Alguém "feliz" no casamento, "feliz" na família, "feliz" no trabalho, "feliz" na igreja, ou seja, uma "pessoa de bem", instruída, com alto padrão de renda e consumo, o que esta pessoa estaria fazendo nas redes sociais virtuais a esbravejar contra tudo e todos, a expressar ódio, rancor, ressentimento e fúria (de modo virtual) se o seu principal problema não derivasse justamente do excesso de segurança ontológica? Quanto mais seguras as pessoas estão em suas próprias certezas, mais a revolta do inconsciente se realiza como ódio de si na expressão do ódio generalizado do outro. Ódio difuso, dirigido às figuras já marcadas socialmente para serem objeto de descarga desse ódio ligado ao tédio da classe média culta (detentora de diplomas e posições de renda e consumo invejados por muitos). Estou perplexo com a adesão de membros "cultos" e "instruídos" às formas típicas do fascismo (seja fascismo de esquerda, seja fascismo de direita). Há algo de muito podre no reino da Dinamarca. O sujeito em vez de procurar uma terapia, um analista, uma vez que tem padrão de renda e conhecimento para fazer essa escolha, prefere despejar o lixo de seu tédio, de sua mortal "segurança", por meio de discursos sobre a insegurança. Quem de nós está efetivamente inseguro? Segurança e insegurança são distribuídas, afinal, de um modo bastante desigual, e contra essa desigualdade, quase ninguém vitupera. Ao contrário, a desigualdade é celebrada, é tida na conta do galardão do vencedor. Como dizia Machado, pela boca de Quincas Borbas, "ao vencedor, as batatas". Ao vencedor, o tédio de seu próprio ressentimento e medo de si. Pois só há a temer quem produziu socialmente algo que gera temor nos semelhantes. Somos tão inocentes nesse paraíso de onde não desejamos ser expulsos, esse paraíso da crueldade, o nosso teatro, né?
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