Monday, June 10, 2013

O QUE TENHO APRENDIDO COM EPICURO SOBRE A VIDA FELIZ

"Nem a posse das riquezas nem a abundância das coisas nem a obtenção de cargos ou o poder produzem a felicidade e a bem-aventurança; produzem-na a ausência de dores, a moderação nos afetos e a disposição de espírito que se mantenha nos limites impostos pela natureza" (Epicuro). Neste sentido, o prazer é o princípio e o fim da vida feliz. E o que Epicuro entende por prazer, como ele próprio alerta, não é o que dizem os ignorantes que o associam aos prazeres intemperantes ou prazeres produzidos pela sensualidade, o prazer é como o "desejo incômodo e inquieto" que se dissolve no amor à filosofia, o que remete à liberdade, de modo que a liberdade está ancorada na condição de quem se encontra livre do sofrimento do corpo e das perturbações da alma. É a vivacidade, o gozo livre da vida e a alegria com a liberdade que fazem do prazer o princípio da vida feliz. E a forma da interrogação dirigida ao próprio desejo é a prática que atua como ponto de partida da reflexão sobre a vida feliz. Prender-se às angústias das angústias, desprender-se do contato com a natureza, envolve impor-se a si infinitos desejos e temores, ligados aos movimentos das opiniões vãs. Não se trata, portanto, de ceder aos impulsos dos prazeres ligados à luxúria, uma vez que "a quem não basta pouco, nada basta". Apenas os insensatos vivem na agitação constante de uma vida orientanda para o futuro, como no caso de quem esquece que a verdadeira riqueza é a capacidade de um sujeito desejante na relação consigo mesmo em conformidade com a natureza. A abundância é uma relação com o próprio desejo. Destarte, "o princípio e o maior bem é a prudência, da qual nascem todas as outras virtudes; ela nos ensina que não é possível viver agradavelmente sem sabedoria, beleza e justiça, nem possuir sabedoria, beleza e justiça sem doçuras. As virtudes encontram-se por sua natureza ligadas à vida feliz; e a vida feliz é inseparável delas".

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