Wednesday, August 01, 2007

veja o filme Amor à flor da pele, de Wong Kar-Wai

eu já vou ler para ti, meu amor! vou ler a história do presente. estou aqui, com esta brochura na mão que eu ganhei do meu melhor amigo, quando eu tinha dezesseis anos de idade. só o tempo, o tanto de bebida, bebida, e o tanto de cigarro, fumado, dá notícia como essa que quero te passar e da qual me aprazo em te contar, como se conta a fuligem dos edifícios em construção.

as ruínas são o desespero da morte. morte desprovida de conforto. essas ruínas, tão velhas, perderam até mesmo a amargura que lhes era incrustada como um diamante na pele ruim, desgastada de tanta má alimentação. as ruínas são a desembocadura da morte. e só de quem provou da seiva grudada nas rochas, ela testemunha, só esses podem localizar-se em relação a elas e apesar delas.

nunca fui um sujeito muito compassivo...talvez...eu tenha até agora conseguido ser educado. polido e educado no sentido próprio ao da civilidade. motivos não faltam jamais com a imprecisão toda de suas certezas. sempre iremos à Bagdá, mas prefiro Praga, pelo menos no momento...Bagdá me faz lembrar do luxo e da pecaminosa desgraça impingida aos incautos. e de precauções estou tão cheio que sou capaz de montar um plano de expansão baseado em pequenas variâncias da vida cotidiana, inimigas das rotinas.

...tudo se passa como se a vida não refulgisse sem ti. contar-te-ei todas as minhas práticas e nisso te darei essência, ou nada poderia valer se estivesse apenas à altura de minhas memórias.

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