Monday, May 20, 2019

Com sangue no olho

O ódio há de vencer. Não o ódio ao outro, mas ao existente que massacra o direito a existir dos outros. Lutar contra o amor ao existente é a tarefa por excelência. Nada de alegrias, afetos e gratidões adaptativas ao existente. Nada de beijos e abraços ao existente. Ser contra o existente com todas as forças. Destruir aquilo que é. Bom domingo aos amigos que ainda sabem rir do existente, deslocando-se em direção ao nada, ao mais profundo abismo, onde se salta para cair para o alto. Sem abraços, afetos, nem gratidão, apenas com sangue no olho.

Saturday, May 18, 2019

Apenas seguir adiante...

Não há sujeitos, não laços aqui, apenas um seguir adiante. Sem buscas, sem saber. Nada a compreender, nada a sentir, nada a mudar. Apenas seguir. Uma tagarelice função do silêncio faz seguir, apenas seguir. Nada olhar, nada ler. O que o mestre quer ouvir? A cada resposta, sua interpelação retorna, indiferente. Por que simplesmente não nos calamos no sofrimento estável? Por que abrir mais uma vez o sofrimento que se sofre desde sempre sem esperança? Por que não permanecer no silêncio, na função, no estabelecido, no separado? Desejar ser julgado para se tornar uma pessoa séria, é isso? Afinal, devemos usar nossa energia para nos salvar ou nos condenar? Que desperdício, essa tagarelice sem fim, que nada gera de útil para a comunidade. Sinto vergonha. Uma vergonha de não poder ser, de não poder continuar sendo. O atraso, o erro, o fracasso, minha mania. Estúpida mania. Vou ser útil, prometo. Mas não posso. Não consigo. Terminei meu parecer. Vou iniciar a outra tarefa. Mas é a ordem do mestre, diz para continuar, continuem, falem de si como se fosse um "sou eu quem fala", com a fala deles atravessada na garganta, qual espinha de peixe, distinguindo qual voz, qual timbre, no tosse-tosse, qual corpo merece ser sentido como merecido, acolhido, iluminado no direito a existir.

O problema do rosto humano

O que pode um rosto? E onde não há rosto? O rosto inexpressivo é ainda um rosto? O simiesco do rosto é apenas um traço? O que se traça no rosto? O rosto é especular? Além de buracos, o que há no rosto? Um rosto existe na solidão? Para que serve um rosto? O rosto seria além de um esgar? As rugas de um rosto são suas fateixas? Por que se escolhe o rosto para cuspir? São muitos os rostos dos outros no próprio rosto? Há um rosto próprio e singular? Os olhos cansados de um rosto podem ainda enganar? O sorriso de um rosto é independente de sua dor? Há rosto que não seja uma deformação do rosto? Há algum sujeito no rosto? Haveria outro rosto no lado detrás do rosto? Um rosto funciona como uma costura?

Não buscar o sentido e explodir a significação

Herdeiros da mais brutal vulgaridade, tentamos deslocar para além a energia boçal de nossa ignorância, mas ela não despega de nós, somos o que somos, pois não somos onde acreditávamos estar. Filhos das armas, da guerra, da maldade, da perversidade, cavávamos numa peleja sem fim para expurgar de nós o que havia de chulo, estúpido, contudo, a estultície não sai de nós, mesmo quando somos beletristas. Estou falando dos homens, dos homens de merda que não nos deixam esquecer que somos parte de uma experiência de colonialidade e escravidão permanente. É o avô, o pai, o tio, o primo, o irmão, um bando de escrotos apoiando um governo de imbecis. Os imbecis somos todos, pois uma mesma rede de parentesco mergulhada na mais triste vileza. Não houve arte, cultura e ciência que dobrasse essa coisa brutalizadora que somos como experiência histórica de autodestruição e disseminação do nada. O preço a ser pago é alto e o prejuízo é compartilhado por todos, de modo compulsório. Estou apenas falando a partir do meu lugar de fala, que é o de uma insana selvageria. A selvageria do bacharel brasileiro. Mas vai que a gente se mata, como sempre o fizemos, pois de morte, de matar e de morrer, a gente é tudo doutor. O nosso êxito é o fracasso do espírito. Minha intencionalidade é o fracasso. Eliminar o sentido, parar de buscá-lo.

Monday, May 13, 2019

Dia das mães 2019

Mãe é apenas uma função. Uma função e tanto para quem dela usufrui como usuário, beneficiário. Mas minha mãe não é apenas a minha mãe. Quando me dei conta disso, passei a respeitá-la fora da função mãe. Ou seja, se tornou um enigma. O enigma de minha ex-mãe. Meu presente de dia das mães é me tornar um ex-filho para minha ex-mãe. Celebrar essa ex-humanidade que nos aproxima na distância inominável do desejo. Um desejo pós-familiar. É como então tento pensar na categoria impossível da mulher, uma categoria fadada a não poder existir. Ameaçada pelas diversas funções impostas pela ordem masculinista: filha, namorada, esposa, mãe, avó. Foi com Lydia que aprendi a questionar essas imposições que nos engessam a vida. Nunca vou esquecer o dia em que ela nos disse que se pudesse não teria sido mãe. Nos fez pensar. Obrigado, Lydia, minha amada ex-mãe. Ex-mãe, eu disse. Continua sendo minha mamãe.

Friday, May 10, 2019

Afasta esse cálice...

Cada um aplica seu desejozinho onde quer, né? Somos livres para voar. Uma coisa que aprendi na vida foi tentar não ser mero seguidor da agenda alheia. Sair de perto da agenda imposta pelo empreendedor acumulador. Ousar ter agenda própria. Somos todos neoliberais ou não?

Friday, May 03, 2019

2020 está chegando

Vendedor de caipirinha, de cachorro-quente, de cerveja em lata no isopor, de espetinho de gato, de podrão, de livros velhos, aulas particulares de catecismo, enfim, estou já me preparando para próximo ano me tornar empreendedor, dar um basta nessa balbúrdia de vida e empreender. Acho que uma igrejinha para congregar pode ajudar, não é? Afinal, é com fé que iremos superar as dificuldades. Sem fé, não somos nada. Empreendedores ungidos, venceremos! Desculpe-me tanta patifaria, mas é a depressão, sei mais nem mais o que fazer. Está ou não está propício para a queda na depressividade clínica?

Monday, April 22, 2019

Essa velha desgraçada!

Quando vejo pessoas muito jovens, sem posição e sem garantias, entrando em competições acirradíssimas alimentadas pela ideia de serem percebidas como o jogador mais agressivo num jogo de vida ou morte que não leva a lugar nenhum, que apenas aplaca a sensação de não ter direito a existir, me entristeço bastante. E o pior é quando tais jogos neoliberais são incitados por pessoas não tão jovens, mas que se excitam em ver jovens competindo desesperadamente entre si. Esse lance se generalizou de tal modo que uma multidão se aferra a eles, mesmo sabendo que são jogos sem futuro, que só levam ao adoecimento e à morte. Mas nada os faz parar. Seguem intrépidos e maldosos. Do nada em que estão ao nada que continuarão sendo. Apenas a ilusão de poder, essa velha desgraçada.

Esboço de autoanálise em pedaços

De 1979 a 1992, estudei em escolas que já eram organizadas segundo o novo modelo da escola-empresa, da escola neoliberal. Agora que estou me dando conta de que o neoliberalismo é um habitus, não é apenas uma ideologia, é um campo de práticas e de estilos de vida. Eram escolas utilitaristas, voltadas para "a vida", aprender para a vida. Habilidades e competências para o mundo prático da concorrência econômica. Os motivos da cidadania e da emancipação também estava presentes, afinal, não há modelo puro. Não tenho notícia de nenhum ex-colega que esteja desempregado ou que tenha sido assassinado no mundo do crime ou pela polícia. Quase todos os meus ex-colegas, dessas escolas particulares das elites, são alguém na vida: médicos, engenheiros, advogados, juízes, empresários, grandes comerciantes, diplomatas, promotores, são pessoas que falam várias línguas e viajam pelo mundo todo. Não tenho memória de colegas perdidos, acabados, destruídos. Um ou outro que se matou, no máximo. Um ou outro que vive em depressão profunda, no máximo. Um ou outro que pirou ou saiu fora dos eixos do comportamento adaptado. O restante é tudo competitivo, operacional, liberal, integrado, adaptado, com acessos de mercado a bens e serviços de classe média alta. Lembro que eu estava entre os pobres da turma, os que precisavam rebolar muito para estar lá. Pagar a mensalidade era o maior sacrifício dos meus pais. As mensalidades eram caríssimas. Meus dois filhos estudam no mesmo tipo de escola que eu estudei. Não há notícia de mortos e feridos a bala. Os ferimentos e os mortos são pelo apagamento psíquico. São indivíduos que entram em parafuso diante da demanda enlouquecedora da escola-empresa. Brasil, um país de profundas desigualdades que se mantêm ao longo do tempo. Parece que nada muda.

Monday, April 15, 2019

sociologia e neoliberalismo

Recebi um comunicado da escola do meu filho, sugerindo uma conversa com pais sobre "neurofelicidade", sobre o poder do indivíduo biológico de criar o bem-estar, sobre a felicidade como uma escolha adaptativa. Isso do filho mais velho, já do mais novo, recebi uma mensagem sobre estratégias para fazer o enfrentamento da impermanência infantil. Como favorecer processos adaptativos à realidade da organização. Adaptação ao trabalho de equipe e aos quadros normativos, cognitivos e emocionais da escola-empresa. Interessante como tema de pesquisa, né? Já vou usar isso na disciplina sobre teoria sociológica e neoliberalismo.

Sunday, April 14, 2019

A integração perversa e marginal

Alimentar a ilusão de que se é integrado, adaptado, classe média e uma pessoa de sucesso. Uma tragédia sem fim. A integração é perversa. A exclusão é marginalmente relacional. A recusa ativa da adaptação comportanental ao imperativo do gozo normalizado infinito é um ato político. Recusar o que todos desejam ao mesmo tempo. Recusar o existente. Isso não é teoria pela teoria, é condição de liberdade.

O tempo da dor

Chega um tempo que a gente aprende alguma coisa, não muito, mas alguma coisa. Por exemplo, a tentar fazer o deslocamento da dor, pois a dor não pode ser simplesmente apagada ou superada, precisa ser deslocada, criar um novo contexto para uma velha dor. E as novas dores? São tão velhas quanto todas as outras. A dor é um lance primário. Ela é primária, matricial. As imagens mais antigas de dor são as mais recentes na ordem do dia. Um retorno à dor é uma condição de seu deslocamento.

1973 - o livro

Homens da minha idade ou quase estão cada vez mais se aproximando no dia a dia para alguma conversa. Eles me olham e se reconhecem em mim. Os homens de 1973, por exemplo, como o Carlos Augusto ou Sergio Veleiro. Esses homens anônimos que me abordam nas ruas, nos bares, por onde estou passando, fazedor de pesquisa de campo que sou, me contam suas histórias, suas vidas despedaçadas, seus recomeços, seus dilemas. Falam usando as mesmas referências que eu, mesmo quando de estilos outros, e aí falam mais e mais. Estou gostando de fazer essa pesquisa existencialmente significativa. Penso em um dia escrever um livro sobre isso. Mas não agora.

Memórias musicais

Uma pesquisa que tenho vontade de fazer é sobre o processo de envelhecimento do músico profissional. Esse pessoal que trabalha de um modo incessante, pulando de uma apresentação para outra, por vezes, três ou quatro num dia, o modo como eles se percebem e percebem seu meio. Há um sofrimento social muito específico do músico envelhecido, um sujeito que já tocou muito, já se dedicou demais e muitas vezes fica ali refém de um show para uma plateia indiferente. Às vezes, o cara é fodão, já tocou com grandes nomes, mas ninguém sabe, está ali invisível. Quando eles notam que você está prestando atenção, eles se comunicam com você, mostram que são virtuoses, coisas interessantes. Ainda vou fazer essa pesquisa com pessoal que trabalha nos bares e restaurantes. Vida de músico não é fácil. É muito trabalhosa, incerta, com baixos ganhos, fragmentada. Históricos de separação, de uso abusivo de drogas, de não ter onde morar, de ficar vivendo de favor. Memórias de alegrias passadas. Saudosismo. Coisas interessantes de ouvir.

Sunday, March 31, 2019

Problemas políticos do país em 2019

Quando pessoas da sua própria família apoiam a tortura e dizem desejar que você seja um próximo desaparecido, a gente entende que família não é uma coisa natural, que família é quem nos ama e a quem amamos. Quando eu tinha 16 anos, começando minha vida como educador popular, meu pai me disse que era uma imbecilidade querer conscientizar quem estava satisfeito em ser subalterno. Ele disse que eu deveria era reforçar que os pobres aceitassem ser pobres, que querer conscientizar os outros era perturbar a vida de quem estava se sentindo adequado, adaptado, que eu não tinha o direito de perturbar as pessoas. Hoje, meu pai não fala mais comigo, ele rompeu comigo de modo unilateral, disse que não sou uma pessoa de bem para os padrões bolsonaristas de ser. Ele me deserdou, disse que eu não usasse mais o sobrenome dele, não fala mais com os netos, disse que ninguém seria mais bem-vindo na casa da minha avó e do meu avô lá no sertão. Se meu avô e se minha avó estivessem vivos, ele não diria isso. Meus avós não permitiriam tamanha burrice. A guerra é na família. Não sou mais aceito entre primos, tios e parentes paternos, que são bolsonaristas, fui excluído, nem posso mais ir no lugar que eu adorava ir, na casa da minha avó, que já se foi, lugar que era recebido com carinho por ela e por meu avô. Tenho fotos do meu avô comigo no braço, super feliz, contente, mas meu pai me proibiu de ter essa memória. Me deu ordem de sair de lá. Nunca imaginei que isso fosse acontecer na minha vida. Nunca imaginei que seria rejeitado pelo meu pai em nome da família Bolsonaro. Isso é ou não é uma grande merda? Meu filho caçula tem um avô vivo que não quer vê-lo mais. Como vou explicar para meu filho que o avô dele é um bolsonarista que se recusa a aceitá-lo como neto, pois não me aceita como filho? Meu filho mais velho sabe lidar já com isso, tem 16 anos, está por dentro, mas e o meninozinho? Como vou explicar isso, que ele não tem avô? Que ele foi rejeitado juntamente comigo pelo fato de eu ser contra o bolsonarismo? É em nome de Jesus que nos rejeitam e nos maltratam, nos torturam e nos matam. Usam armas com as mãos que apontam contra nossos corpos, dizendo que estamos condenados a morrer, a desaparecer, e fazem isso em nome de Jesus. Nunca odiei tanto Jesus. Esse filho da puta que aponta armas para nós. Quando escuto o nome de Jesus, lembro das armas na mão. Não dá para tergiversar. Foram atuantes em eleger o cara e agora ficam escutando música gospel cuidando da espiritualidade como se não tivessem nada a ver com nada. Que escrotice! São uns escrotos. Falou em nome de Jesus para mim, é inimigo. Nunca mais perdoarei esses imbecis das igrejas. A maioria, alguns se salvam, mas a minoria que é diferente confirma a regra. Jesus é o inimigo com a arma na mão. Jesus é meu inimigo. É satã! Deu pra entender ou quer que eu desenhe? Uma vez meu pai me disse quando eu era criança: "se você estiver no fundo de um poço e eu não tiver como te tirar de lá, eu pulo e lá ficarei contigo, ao teu lado". Era mentira. Que mentiroso filho da puta. Preferiu ficar com a família Bolsonaro. Nem ao enterro dele, irei. Nem que ele venha ao meu. Velho babaca! Vou tentar não ser um pai tão idiota.

Não faz bem para a saúde

As pessoas que chegam muito arrogantes num ambiente novo, onde elas são as recém-chegadas, sofrem muito, mas muito mesmo. Ficam isoladas, sem acesso às informações fundamentais que fazem funcionar as coisas. Cometem erro atrás de erro, mas ninguém ajuda, pois dispensaram desde o início ajudar e ser ajudado como uma prática de cooperação. Não recomendo cometer esse erro mais de uma vez. Não faz bem para a saúde.

Fotografia na biblioteca

Sou o tipo de pessoa que adora tirar fotografias na biblioteca, mostrando livros. Quando vejo as pessoas criticando quem tira foto de si com a biblioteca ao fundo, eu me desespero. Começo a delirar, afinal, se tiram isso de mim, não sou nada. Meu direito a existir está centrado numa foto pessoal com uma biblioteca ao fundo, é minha boia salva-vidas num mar tempestuoso, sem o que, afogaria em dois segundos, perderia meu direito a existir, que é isso, mínimo e reduzido. Nada mais do que isso, uma foto de mim com uma biblioteca ao fundo. Não quero mais mais nada, eu juro! Je vous en prie!

A borboletinha

Estou ensinando para meu filho de dois anos o que é a morte. Conversamos sobre a borboletinha que apareceu morta no chão da cozinha da nossa casa. Ele já está aprendendo que existem duas expressões diante da morte, uma mais objetiva, "ela está morta", mais científica, e outra, "a bichinha morreu". Também a gente examina junto se ela morreu de morte natural (velhice) ou morte acidental (o calor da lâmpada da cozinha). Mas ele já sabe o que é a morte. Ainda bem, pois saber disso é condição para amar a vida.

Friday, March 22, 2019

14 horas por dia

Por que eu trabalho 14 horas por dia? Porque 4 é obrigatoriamente de leitura, de estudo. Me recuso a expulsar do meu cotidiano profissional aquilo que é a razão da gente existir. O professor e o pesquisador estão na condição de estudante profissional permanente. Nunca aceitei aquele lance: não tenho mais tempo para estudar. Para evitar então choque com outras demandas profissionais, que são muitas e variadas, estabeleci minhas 4 horas sagradas, que ninguém mexe, pois afinal estou deixando 10 horas para o restante das atividades. Nosso regime é de 40 horas semanais, mas meus colegas e eu trabalhamos todos os sábados e alguns domingos. Fiz um levantamento e pude observar que a carga horária da gente efetiva fica em torno de 60 horas semanais. No meu caso, fica em 84 horas semanais. E de vários colegas que conheço também. Apenas uma minoria adota a postura "menos trabalho possível", "menos que o mínimo". Inclusive, ninguém gosta dessas pessoas, ninguém as respeita, pelo menos, as que trabalham muito, que são a maioria. Então, não procede o preconceito de que o professor da universidade trabalha pouco. Não corresponde à realidade dos fatos. Agora, se trabalham bem, com qualidade, aí é outro debate. Faço um apelo que não façam circular nesse momento que a universidade está sendo atacada a ideia de que a gente é "privilegiado" que "não trabalha" etc. Isso é um tiro no pé, pois a condição de trabalho do professor da universidade funciona historicamente como referência para a luta. Se a referência cai de padrão, o patronato adora, pois em vez de dizermos que a categoria precisa ser elevada às condições mínimas das universidades, a gente diz que quem está na condição mínima tem de cair para se igualar por baixo, ficar na situação intolerável de precariedade e vulnerabilidade da maioria dos professores. É uma discussão complexa, mas exige de nós uma reflexão, pois alianças são mais bem-vindas nesse momento de desrealização social geral.

Sunday, March 17, 2019

O show de horrores

Acompanhar as explicações e as justificativas dos indivíduos sobre qualquer assunto é observar uma fragmentação muito forte cujas parcelas mais idiossincráticas são correntes muito amplas de opinião de massa. O comentário individual parece ser de cada um, mas não o é, é uma variação de correntes massivas. O massivo capturou a nova mídia? Não pesquiso isso, foi só uma impressão mesmo.