Tuesday, February 20, 2018
Abusado é pouco!
A arrogância dos especialistas em segurança pública é cada vez maior. Transformam "segurança pública" em uma mercadoria, usando lastro acadêmico, fazem contratos sobre os quais há sérias dúvidas expostas por políticos nas tribunas do parlamento, andam de mãos dadas com cúpulas acusadas de "extermínio" para trazer "paz", enfim, pintam e bordam, incrementando seus lucros, e ainda vem com história de dizer que o problema do crime é o bandido com fuzil na mão. Que lance raso e superficial. Estou com um abuso muito grande desses especialistas em segurança pública. Quero é distância.
Solitário na falta da solidão
O cúmulo da solidão é você fazer de conta que não existe o google para achar o telefone ou endereço que você deseja e enviar mensagem pelas redes, demandando atenção para seu pedido (para si). O pior é quando ninguém responde. Sinal de que o lance é gravíssimo. Não estou debochando. Também estou no mesmo barco. Solidão absoluta que fere. No meu caso, fico postando informações que parecem objetivas, sobre as disciplinas que vão começar na universidade, mas é só um despiste para gritar diante de tanto esvaziamento de sentido. Fico querendo convencer a mim mesmo que o que eu faço tem alguma importância. Mas, no fundo, que importa quando o corpo começa a degenerar, a envelhecer, seguindo em direção a uma longa dor, a um longo adeus da vida? Sim, amigo, eu sei que aqui não é mais e há muito tempo o lugar para escrever alguma merda que seja. É só a compulsão. Essa loucura compulsiva que nos faz querer fugir do pior, da insignificância e da indiferença.
Capitalismo desorganizado
A crise da representação política e do capitalismo desorganizado é tão profunda que a classe dirigente não faz a menor ideia do que fazer. Não dirigem mais nada. Só espetáculo e autoritarismo diante do não saber o que fazer. Não há mais modelo. É um salve-se quem puder generalizado. O recuo às formas autoritárias é um sintoma de perda da autoridade e do fim das instituições.
Monday, January 29, 2018
14 pessoas assassinadas
14 pessoas mortas numa festa ontem e houve mais ocorrências de homicídios pela cidade. Fortaleza está um caos? Não, as periferias estão abandonadas ao caos, pois as elites, as classes médias altas, vivem em bairros de primeiro mundo, onde raramente ocorre um assassinato. O apartheid mantido pelo racismo de Estado é que mata. Imaginem se 14 pessoas fossem assassinadas dentro da Livraria Cultura, no coração do lugar mais seguro da cidade, onde se pode andar à pé, como se estivesse em Paris ou Nova York, seria aceitável o secretário de segurança pública dizer que "não há motivo para pânico"? Claro que não seria. Ele teria sido demitido antes mesmo de dar a entrevista. E quem acha que não há criminosos que frequentam a Livraria Cultura é muito inocente, pois há sim, alguns bem perigosos, inclusive alguns traficantes de drogas de alto nível, mas são ricos, brancos, bem relacionados etc.
Tudo sob controle!
O rei está nu "...no interesse da 'segurança pública' , isto é, da segurança da burguesia " (Marx). Se for assim, o rei está no controle, e ele não anda de ônibus nem sai da Dom Luiz com Virgílio Távora. . Dá para andar sem medo entre a Livraria Cultura e a padaria Monte Carlo...Sim, aí há controle! Um controle tão efetivo quanto pode permitir a perda do controle no âmbito geral. Mas como dizia Marcuse, ""A mistura de estupidez, ganância, baixaria e brutalidade que perfaz a política deixa a seriedade sem fala".
O Estado sou eu cearense.
Não é incomum, ao voltar do trabalho para casa, encontrar homens armados nas ruas que não são policiais. O trajeto trabalho-casa é um alto risco. Risco de assalto, risco de passar por dentro de um tiroteio, risco de não ser reconhecido como morador ao entrar no lugar onde se mora, enfim, nada tranquilizante. Considerei uma boçalidade do governador do Ceará afirmar que o ir e vir está garantido por ele, pois ele (de modo egoico) está no controle. Que falácia! Foi de uma arrogância sem tamanho. Ele desrespeitou a gente que vive nessa tensão permanente, nesse pânico permanente, esse medo cotidiano de, ao passar pelos homens armados que sempre estão lá no cotidiano, sobreviver. Não ser o alvo do dia. Fiquei pessoalmente sentido com essa atitude arrogante do governador. Mostra que ele vive numa bolha, na bolha de primeiro mundo que existe na cidade de Fortaleza, nos "bairros nobres". Ele deveria dar um pedido de desculpas à sociedade por falar algo tão distante da realidade da maioria.
Tuesday, January 09, 2018
Roteiro de expedição pelas praias do Ceará
ROTEIRO DA EXPEDIÇÃO (nos arquivos, na literatura, na pintura, na iconografia, na fotografia, no cinema, em vídeo e em trabalho de campo à la etnografia extensiva de Mauss)
Bitupitá, Praia Nova, Barra do Remédio, Maceió, Farol do Trapiá, Imburana, Tatajuba, Guriú, Jericoacoara, Preá, Barrinha, Morgado, Aranaú, Coroa Grande, Ponta do Presídio, Arpoeiras, Espraiado, Volta do Rio, Itapajé, Porto dos Barcos, Almofala, Torrões, Moitas, Icaraí, Caetano, Sabiaguaba, Baleia, Mundaú, Flexeira, Lagoinha, Paracuru, Taíba, Pecém, Cumbuco, Tabuba, Icaraí, Iparana, Orla de Fortaleza, Porto das Dunas, Prainha, Praia do Presídio, Iguape, Barro Preto, Batoque, Caponga, Águas Belas, Barra Nova, Tabuba, Morro Branco, Praia das Fontes, Praia do Diogo, Uruaú, Barra da Sucatinga, Ariós, Praia do Canto Verde, Praia do Paraíso, Parajuru, Praia das Agulhas, Maceió, Canoa Quebrada, Porto Canoa, Majorlândia, Quixaba, Retirinho, Retiro Grande, Ponta Grossa, Redonda, Peroba, Barreiras, Mangue Alto, Tremembé, Melancias, Peixe Gordo, Manibu...
Roteiro de expedição pelo sertões do Ceará
ROTEIRO DA EXPEDIÇÃO (nos arquivos, na literatura, na pintura, na iconografia, na fotografia, no cinema, em vídeo e em trabalho de campo à la etnografia extensiva de Mauss)
Chapada do Apodi, Serra do Aimoré, Serra São Vicente, Serra do Braga, Serra Verde, Serra do Araripe, Serra dos Haveres, Chapada do Araripe, Serra dos Cariris Novos, Serra São Joaquim de Barra Nova, Serra da Pedra Branca, Serra do Barbatão, Serra das Matas, Serra do Imburana, Serra da Ibiapaba, Serra de São Joaquim, Serra de Ubatuba, Serra da Meruoca, Serra de Uruburetama, Serra do Estevão, Serra de Baturité, Serra de Aratanha, Serra de Maranguape, Serra do Juá...
Um utilidade para Deus
Finalmente, arranjei uma função super útil para Deus em minha vida. Quando alguém pede dinheiro em nome de Deus, respondo super sério e compenetrado que Deus proverá. O retorno da autoridade é inquestionável. Só resta dizer amém e agradecer.
Friday, December 29, 2017
Pelos idos de maio de 2015
Um grande desafio, talvez o maior de todos em termos políticos, seja o de promover estratégias solidárias para uma ação coletiva em prol de democracia real num contexto onde a maioria das pessoas está mergulhada no mais profundo quadro de isolamento e individualismo possessivo, que gera sentimentos negativos de "cada um por si" e de impotência frente à perspectiva da transformação social, que é necessária para nos levar a caminhar no sentido de um mundo mais justo, fraterno, livre e igualitário.
Editar
Entre o Meireles e o Pirambu
Em média, um indivíduo que mora no bairro Meireles em Fortaleza ganha quase 12 vezes mais que um indivíduo que mora no bairro Pirambu. Neste bairro, que é da raiz popular histórica da cidade de Fortaleza, um indivíduo ganha 285 reais em média. No Meireles, mais de 3 mil reais. Como o cálculo é per capita, isso inclui toda a população, não apenas a economicamente ativa. Uma criança no Pirambu dispõe de 285 por mês em média. No Meireles, 3 mil reais por mês. A soma da renda mensal nominal dos domicílios particulares do Meireles é de mais de 120 milhões por mês, do Pirambu, 5 milhões. Mais de 900 mil pessoas vivem em situação de favelamento em Fortaleza, um terço da população do município. É uma das cidades mais desiguais do mundo. Trata-se de uma situação insustentável. Todavia, a desigualdade não pode ser reduzida apenas à renda como indicador, há outras dimensões, até mais graves, como as exclusões de acessos à saúde, educação e segurança cidadã.
Thursday, November 30, 2017
Crianças e idosos massacrados
Mas o que é ter problema na vida diante das pessoas que perderam entes queridos de modo violento? Mas o que é ter problema diante de quem está com entes queridos muito doentes? Morte e doença são avassaladoras. Nada mais complexo do que isso. As crianças e as pessoas idosas sendo massacradas. Isso é insustentável. A solidariedade está muito escassa. Essa é a crise principal.
Sobre a economia de guerra
De 2008 para 2012, quando a ostentação atingia o limite do céu, aqui em casa fizemos uma reunião de família para discutir a crise que se avizinhava, quando ninguém falava de crise. É esse o segredo. Não entrar no jogo. Ficar sóbrio. Não se embebedar de fantasias. A gente entrou no bunker quando estava todo mundo viajando. Aprendi isso com meus pais na década de 1980.
Tuesday, November 28, 2017
Condição de dominado: um círculo vicioso
Tentam imitar os dominantes, legitimando os critérios dominantes de avaliação, e quando são avaliados por tais critérios se sentem humilhados. A condição de dominado é um círculo vicioso entre vergonha e humilhação. Romper isso é sentido como uma tarefa quase impossível.
Detalhes invisíveis
Acordar todo dia às 5 da matina para filho chegar na escola às 7 horas em ponto. Empiricamente falando, neste ano de 2017, falhei um dia apenas. Exatamente, um dia. Chegamos às 7h10. Um vacilo meu. O nome disso é ascetismo secular. Não é brinquedo. É o lado invisível das coisas.
A reclamação paralisante
Não faz sentido você acompanhar jovens com doutorado alegando que estão desempregados por falta de oportunidade. Não faz sentido mesmo, principalmente, quando as oportunidades vão surgindo e os reclamantes nunca se inscrevem, nunca buscam as oportunidades, e continuam reclamando. Fico observando isso. Vamos reclamar e agir ao mesmo tempo. Reclamar e ficar paralisado é um problema sério.
Distâncias intergeracionais
Percebo que a distância entre minha experiência pessoal na vida social brasileira e de minhas e meus alunxs hoje é enorme. Há muitos pontos de contato que possibilitam a comunicação, mas há alguns pontos que são um fosso. Para quem foi adolescente e jovem na década de 1980 e já adulto em 1990, as coisas são muito diferentes. Eram tempos muito duros. Esse pessoal que hoje nos assusta (extrema-direita) ocupava todas as posições e em todo lugar. Vivíamos acuados. Eles estão apenas querendo voltar a ser como era naquela época. Vivíamos sendo massacrados por toda parte. Éramos os "vagabundos", os "baderneiros", os "maconheiros" etc. Era pancadão. Não digo que hoje seja mais fácil, mas houve mudanças para melhor por causa das lutas coletivas por direitos. O ambiente ficou menos irrespirável. Sei lá se estou certo. Posso estar alimentando aquelas coisas intergeracionais.
Fazer amigo não é fácil
Não gosto de tratar todo mundo como se fosse amigo. Amigo é algo tão raro e precioso, não merece banalização. O que não quer dizer que esteja fechado para novos amigos. Mas, em geral, não estão ligados aos circuitos de sucesso, dinheiro e poder. Onde há exaltação disso, não vejo chances de fazer amigos. Amizade nasce naquela situação onde a igualdade, o olho no olho, o lado a lado, é a base de tudo. Confundir amizade com "aliados", "rede de trabalho" e distribuição de simpatia para acúmulo de capital político ou outras formas de prestígio social é sem futuro. Um erro crasso.
Racismo atinge primeiro as crianças
Quando um homem e uma mulher brancos, ricos, poderosos, com muitos recursos para se defender, adotam uma menina negra, uma criança linda e adorável, fico pensando o que deve se passar de terrível com uma menina ou menino negros que vivem em situação de favelamento com suas mães negras solteiras superexploradas em atividades que reforçam posições de subalternidade, humilhação e exclusão de direitos. Se a linda Titi está sofrendo ataques estúpidos dos racistas, imaginem o que sofrem as outras crianças invisíveis ou invisibilizadas pelo racismo de Estado no BR.
Monday, November 20, 2017
Sobre a urgência
Me dá um cansaço tão grande trabalhar com pessoal compulsivo para quem TUDO É URGENTE. Um saco. Na vida, apenas a vida é urgente. O resto, a gente desenrola. Cada urgência com seu vazio. Quando alguém diz que algo é urgente, inicialmente, me dá uma raiva daquelas. Vem na minha cabeça os filhos doentes, as pessoas próximas morrendo, a falta de sentido da existência, coisas assim. Aí, vou ver que a merda da urgência do outro não passa disso, de uma urgência de merda. Uma urgenciazinha fajuta, melodramática, baseada em carência, sem solo real. Pois, urgência real é o filho na UTI ou sendo morto pela PM. Urgência para coisas que não são urgentes é uma filha da putice. Demandar urgência deveria ser um recurso de socorro extremo. Mas o urgente virou uma coisa banalizada. Qualquer ansiedadezinha de merda vira demanda de urgência. Urgente é a morte, pessoal. Urgente é a vida sendo ceifada, destruída. O resto é o resto. Urgente é evitar as condições de morte do desejo humano, da liberdade, da igualdade, e nada mais. Não vamos etiquetar de urgente as banalidades da vida vazia. Urgente é o amor, a solidariedade, o bem-viver para todas as pessoas sem exceção. Urgente é o reino da abundância de alegria e do júbilo no excesso de sentido.
Subscribe to:
Posts (Atom)