Monday, November 20, 2017

Sobre a urgência

Me dá um cansaço tão grande trabalhar com pessoal compulsivo para quem TUDO É URGENTE. Um saco. Na vida, apenas a vida é urgente. O resto, a gente desenrola. Cada urgência com seu vazio. Quando alguém diz que algo é urgente, inicialmente, me dá uma raiva daquelas. Vem na minha cabeça os filhos doentes, as pessoas próximas morrendo, a falta de sentido da existência, coisas assim. Aí, vou ver que a merda da urgência do outro não passa disso, de uma urgência de merda. Uma urgenciazinha fajuta, melodramática, baseada em carência, sem solo real. Pois, urgência real é o filho na UTI ou sendo morto pela PM. Urgência para coisas que não são urgentes é uma filha da putice. Demandar urgência deveria ser um recurso de socorro extremo. Mas o urgente virou uma coisa banalizada. Qualquer ansiedadezinha de merda vira demanda de urgência. Urgente é a morte, pessoal. Urgente é a vida sendo ceifada, destruída. O resto é o resto. Urgente é evitar as condições de morte do desejo humano, da liberdade, da igualdade, e nada mais. Não vamos etiquetar de urgente as banalidades da vida vazia. Urgente é o amor, a solidariedade, o bem-viver para todas as pessoas sem exceção. Urgente é o reino da abundância de alegria e do júbilo no excesso de sentido.

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