Saturday, December 28, 2013
Voltar à normalidade?
Voltar à normalidade? Normalidade de quem? Normalidade do ponto de vista de quem? Para mim, os governos são profundamente anormais, irresponsáveis e irregulares. Não vejo normalidade neles. "Normalidade" da opressão? É isso que vocês defendem? Que voltemos à "normalidade" ditada pelos opressores? Sei. Estou ligado.
Em 4 de maio de 2013, pelo FB, uma história já mil vezes contada e recontada. Cansei.
Uma vez o cara estava conversando comigo na cantina da universidade. Ele falou assim: vocês que são anti-capitalistas são uns babacas. Eu sou é a favor do lucro, do capitalismo e do sucesso das empresas. Eu fiquei atônito, só ouvindo aquele gorgolejar. Depois de um tempão, o mesmo cara chegou pra mim dizendo: Amigo, estou precisando de você, repasse-me umas indicações de livros valiosos e centrais para eu desenvolver minha "produção". Perguntei: o Senhor está querendo me propor algum contrato de prestação de serviços educacionais? Ele fez uma cara de "não entendi". Aí fui mais claro: Como o Senhor é a favor de distribuir competitivamente ganhos por fornecimento de mercadorias, fiquei atento, pois a informação é hoje a principal mercadoria, quando o Senhor me tachou de anti-capitalista salafrário e incompetente, o Senhor disse que não aceitava nada que não fosse na dimensão contratual de compra e venda de serviços ou produtos, por que o Senhor quer agora minha amizade? Por que o Senhor quer a amizade de um agente anti-capitalista, pedindo-me fornecer serviços e produtos sem contrato comercial prévio? Eu quero ser capitalista com você? Ele ficou ofendido: disse que eu era insensível e que estava desumanizando a relação. De minha parte, fiquei lembrando dos ensinamentos da filosofia cristã antiga, segundo a qual não é possível exigir dos outros aquilo que não se pode exigir de si próprio, não estar em contradição consigo mesmo. É por isso que eu acho estranhíssimo quando pessoas defensoras do capitalismo se aproximam pedindo oferta de serviços educacionais na "amizade". Os mesmos que defendem o acirramento do contrato de compra e venda como vetor da vida anti-social são os que, quando necessitam, pedem socorro aos amigos. Um bando de filhos da puta. E que Deus seja louvado! Como na moeda americana.
SANTIAGO DE CHILE, 02 DE OUTUBRO DE 2013
Numa cidade onde não é permitido a população beber nas ruas, os bêbados aparecem por aí, vomitando, tropeçando e fazendo imprecações a si mesmos. Há também os bêbados que levam tombos em frente às igrejas, sob o olhar obtuso dos carabineros. Uma população contida só pode ser explosiva. Santiago de Chile é um lugar-terremoto. Desde o primeiro momento, fiquei cabreiro, no meu estado de cabra mais atento, com tantas bandeiras flamejantes da nação. É muita nação demais. O custo de vida, dizem as pessoas do lugar, está pela hora da morte. E enquanto isso a campanha presidencial clama por uma "nova maioria", com mulheres brancas assustadoras em fotos de photoshop. A cidade se livra de negros e índios de um modo quase perfeito. Até o casal de rapazes se beijando em praça pública é recatado. Há um catolicismo exacerbado. Na catedral, fala-se de política, pois "el amor es más", e a igreja é capaz, segundo ela própria anuncia no seu templo, de trazer paz e reconciliação ao povo de Chile. Algumas pessoas vomitam nas ruas. O vômito fica lá, imagino que muito gelado. Outras pessoas esperam no ponto de ônibus com rostos que não nos deixam adivinhar a qualidade humana do lugar para onde estão se dirigindo. É como se estivessem num cemitério ao ar livre, zanzando entre as lápides e as catacumbas. O taxista de 64 anos celebra o terremoto como o acontecimento econômico mais importante do desenvolvimento da nação. Segundo ele, os cinco terremotos que ele sobreviveu dinamizaram a economia do país, pois obrigam o dinheiro a circular e a gerar empregos para a construção na destruição. Estranha economia essa do Chile. Aliás, as universidades também. Em uma delas, há um prédio antigo, pomposo, com imagens de padres da igreja, onde as lojas, as boutiques, são tão sofisticadas quanto as de um shopping center, onde as famílias brancas do país se orgulham de possuir um arranha-céu como os de São Paulo e Nova York, mas quase ninguém fala dos acampamentos de indigentes, pois eles atrapalham a ideia de que não há pobres no Chile. Mas há indigência. Há também ladrões tentando bater a carteira dos turistas. Há muito Brasil no Chile, apesar do Chile parecer desejar reciprocidade com o Canadá, em primeiro lugar.
Monday, November 11, 2013
Algodão doce!
Há 4 anos, faço uma mesma pergunta sobre o CE: quantas investigações estão sendo feitas sobre o atacado de armas de fogo? Zero interesse. Coisa mais difícil de se pautar no CE é debate sobre atacado de armas de fogo, ninguém quer chegar lá, mais "neutro" falar dos bairros. Queria ver o governo lançar mapa dos mercados ilícitos de armas de fogo e colocar na imprensa. Colocar os bairros é muito água com açúcar.
Tudo é líquido!
Secretaria da Fazendo do CE envia release para o jornal dizendo que sonegação no Estado é de 6 milhões por mês e os "jornalistas" nem para checar que em 1995 era, segundo PF, de 45 milhões, basta consultar jornais da época. Estranho não é? Tanto progresso, tanto PIB, e a sonegação diminuiu, não é? Motivo de orgulho? É preciso aprender a ler o implícito de um jornal para não virar massa. Só para vocês terem uma ideia da relatividade do dado, a Polícia Civil divulgou há uns dois anos que o varejo do crack (o varejo) girava 5 milhões por mês. A polícia civil não disse que outros 5 milhões não giravam pois iam para contas "amigas". Então, apenas o crack (o varejo), em estimativas oficiais, acrescentando-se o valor não oficial do arrego, gira 10 milhões, digamos, por mês. Aí a sonegação no Estado inteiro, com empresas que movimentam até 100 milhões de dólares por dia (estou me referindo a uma única empresa, ok? 100 milhões não oficiais por dia, há empresa que movimenta isso, PF sabe) financiando o governo, é de 6 milhões, é? Querem contar piada ou fazer jornalismo?
Enquanto isso, a vida das celebridades...
E as celebridades (o que é uma celebridade?) estão desabafando nas redes sociais virtuais. E a massa tendo o desejo apontado pelo desabafo da celebridade. E a gente tem que começar a segunda-feira do mesmo jeito que passou o sábado e o domingo: na precariedade de quem precisa estudar, pesquisar, escrever, uma vez que não dispomos de sistemas confiáveis de signos para apontar o caminho do sentido da existência. É preciso partir do lugar nenhum para lugar algum, e ser minimamente convincente uma vez que do declínio nutre-se a aurora da vida, e de incerteza em incerteza, nesse anti-delírio, ainda somos etiquetados de seres delirantes. O único delírio de que padeço é o delírio invertido: em vez de certeza absoluta, sou movido por dúvida radical.
Lesbofobia mata.
Até quando teremos que lidar com o absurdo de mais vítimas fatais por causa de sexismo, lesbofobia, homofobia e transfobia? Uma garota de 16 anos, descobrindo o amor com outra garota, sendo brutalmente impedida de vivenciar suas descobertas, seu direito à diferença, esmagada pela própria família, pela mãe, pelo peso do ódio às diferenças, lançou-se do alto de um edifício num momento de dor, sofrimento e perturbação provocados por falta de reconhecimento e de apoio da própria família neste final de semana em Fortaleza. Essa imbecilidade que faz vítimas entre os membros da própria família precisa parar. É inaceitável e intolerável qualquer forma de preconceito. Toda forma de amor tem direito à vida, à liberdade e ao prazer de existir com alegria.
Garrafas vazias de uísque.
As garrafas esvaziadas de uísque possuem um preço nas favelas para os falsificadores de uísque, uma garrafa pode custar até cinco reais, dependendo do estado em que se encontra. Uma garrafa vazia de uísque, quando impecável, ganha valor para a falsificação do uísque. Uma garrafa de uísque falsificado pode voltar para uma prateleira, de onde se surrupia uma garrafa de uísque original, supondo-se tratar de que seja original, ou seja, uma crença na originalidade do uísque que, por sua vez, gera um marginalismo nas franjas do real. Se alguém leva uma garrafa do uísque falsificado na favela (da favela para o bar, para o supermercado, para a casa do patrão, para o buffet, etc) e traz de lá uma garrafa fechada do original, realizou-se o preço que redireciona um importante e lucrativo circuito comercial informal e ilícito. (Para o amigo Carlos Augusto Lima).
O sentido de revisar trabalhos
Revisar trabalhos de orientandos exige um página a página, detalhe a detalhe, que não diz respeito apenas ao plano de conteúdo. O que está em questão na revisão é a formação intelectual ampla, o manejo dos repertórios teóricos, a inventividade quanto ao método proposto, a formalidade acadêmica, a normatização do texto, os elementos que dizem respeito à lógica da descoberta, as potencialidades, é, praticamente, uma análise do processo de construção de si, enquanto pesquisador ou pesquisadora, por meio do trabalho a ser realizado. É uma atividade altamente complexa e absorvente o ato de revisar o trabalho do orientando.
Minha empresa
Uma vez uma pessoa burocrata que encontrei nessas reuniões interdepartamentais da administração superior, uma figura que se dedica inteiramente a assumir posições de mando no espaço institucional, me disse que o problema da universidade era que tinha muita gente com a mentalidade de estudar, dar aula, pesquisar, orientar e publicar, levando vida de intelectual, que era isso que fazia a universidade ficar para trás no jogo das posições do campo do poder mais amplo. Que se houvesse menos intelectual na universidade, a empresa ia decolar, ia fazer várias parcerias com mercados públicos e privados e ia dar um show, ia ser de sucesso, contribuindo para o "progresso" da economia. Mas "minha empresa", ela chamava a universidade de "minha empresa", é cheia de intelectual que vive estudando e pesquisando e dando aula, tudo com a cabeça nas nuvens, isso é o que faz o "nosso" atraso. E eu escutando juntamente com outros colegas aquela ladainha de uma pessoa que quer ser reitora da "minha empresa". (esqueci de dizer, fui olhar o Lattes da tal pessoa: nunca orientou monografia, nem dissertação, nem tese, nunca publicou uma artigo científico, não participa de eventos acadêmicos, etc. Uma pessoa que odeia a vida acadêmica e quer ser "chefe" dos acadêmicos e vai acabar sendo pois é indicação do deputado e do governador).
Dilema? Dilema nenhum.
Quanto menos atendo a telefonemas, quanto menos respondo a e-mails, quanto menos respondo às solicitações do mundo para exercer o poder, principalmente, em reuniões e mais reuniões da tecno-burocracia universitária, mais produtivos são meus dias de trabalho: as aulas, as pesquisas, as bancas, as orientações, as leituras e as publicações. De um lado, não responder aos apelos de desejo do mundo exterior é evitar as transferências deles advindas, o que melhora a saúde do ser errante e errático, sair do rebanho, sair do grupo. De outro lado, não responder e-mails, perde-se rede de poder, a imagem pública é deteriorada, e por mais produtivo que se seja, desenvolvendo-se o trabalho final com qualidade e intensidade, é-se punido por não pagar pedágio às redes, pois os que investem nas redes, que fizeram opção pelo poder e não pelo saber, não admitem que o outro possa ter qualidade lá no lugar onde o poder não lhes permite ter, ou melhor, onde a dedicação às fantasias de poder não lhes permite ter outros objetivos que não sejam colocar tudo em rede de poder. Quanto mais se tem capacidade de apresentar resultados da atividade-fim com qualidade, mais se perde lugar. Quanto mais se briga por lugar, menos capacidade se tem de apresentar resultados da atividade-fim que não sejam resultados do acúmulo de posições de mando. Estudar ou mandar? Pesquisar ou mandar? Ler ou mandar? Publicar ou mandar? Os que optaram por mandar possuem a capacidade de tornar invisíveis os que se recusam a estar no rebanho. Ficar fora do rebanho é declinar para uma morte solitária nas montanhas, como lobo solitário, como lobo da estepe. Mas de meus instintos selvagens, da busca por minha libido, e da birra contra o sentimento de rebanho, disso não abro mão, nem que fure meus olhos.
O Ceará que nos representa!
Achei a cara do Ceará contemporâneo o lutador cearense de MMA que, no campeonato, foi nocauteado em menos de 40 segundos, demonstrando profunda incompetência por ter baixado a guarda de modo arrogante, e depois, falta de profissionalismo e de autocontrole, ao ter esmurrado a parede no vestuário, descarregando energia psíquica retesada pela frustração de estar muito distante daquilo que se imagina, quando se vê imaginariamente com dinheiro, carros, mulheres, etc. É a cara do mainstream cearense. Somos fantasiosos demais, competentes de menos e ainda por cima, faltamos com o equilíbrio emocional para saber lidar com nossa posição dependente e subalterna. O lutador incompetente e desequilibrado que o Ceará enviou para a competição é a única entidade que efetivamente hoje nos representa no Ceará. E sendo otimista.
Friday, November 08, 2013
Meu problema com o telefone.
Um médico cirurgião entra numa sala de cirurgia depois de todo um procedimento de preparação, toda uma profilaxia, uma organização de equipe, um ritual complexo. O paciente aberto, cortado sobre a mesa, o médico cirurgião com as duas mãos ocupadas, segurando ferramentas e afastando tecidos, com muito cuidado para não cortar indevidamente vasos sanguíneos, e cauterizando aqueles que é necessário cortar, enfim, são horas e horas de concentração, de muita atenção, de cuidado máximo. A atividade fim do médico cirurgião é fazer isso que ele está a fazer. Nunca ninguém pediria que ele deixasse de fazer o que está fazendo para qualquer outra coisa que pusesse em risco a vida do paciente e a finalidade técnica do trabalho. Deu para entender a questão? Vão telefonar para a casa do caralho! Telefonem para a casa do caralho, mas deixem-me terminar a cirurgia, ela é longa, as palavras estão escorrendo pelo corpo do texto. É a famosa produção, a famosa produtividade. Para quem trabalha com telemarketing, sinto muito, eu não trabalho com Serviço de Atendimento ao Consumidor. Telefone tocando do meu ódio!
Não há nada que me deixe mais de bom humor do que preparar com gosto uma aula pra bichinha sair caprichada, como manda a ética do meu contrato de trabalho como professor.
PRECISANDO DE UMA DICA SOBRE O USO DA FERRAMENTA ABAIXO, QUEM QUISER ME TELEFONAR PARA ME AJUDAR NA PROBLEMATIZAÇÃO DESTA FERRAMENTA DE OPERAÇÃO, ESTOU AGUARDANDO, ANSIOSAMENTE O TELEFONE TOCAR.
"Quando Lévi-Strauss diz, no prefácio do Cru et le Cuit, que 'procurou transcender a oposição do sensível e do inteligível colocando-se logo ao nível dos signos', a necessidade, a força e a legitimidade do seu gesto não nos podem fazer esquecer que o conceito de signo não pode em si mesmo superar esta oposição do sensível e do inteligível" (Derrida).
Vixe, fui frescar, agora estão ligando é de número confidencial de dois em dois minutos. Me lasquei. Não devia ter frescado, né? Deus pune.
Estou atendendo telefonemas assim agora: -- Alô, Senhor Leonardo? -- Sim, falando com ele, pois não? -- O Senhor pode falar? -- Agora, eu não posso, pois estou fazendo amor, pode ligar depois da minha morte, por ocasião do meu velório?
Na última segunda-feira, um celular desconhecido ligou 17 vezes ao longo do dia para mim. Eu não atendi, é claro, estava palitando os dentes e coçando a sobrancelha. No dia seguinte, o mesmo número ligou 12 vezes. Fiquei curioso, tirei o palito do canto da boca, limpei a babinha característica de quem dorme muito, e atendi ao telefone, o primeiro telefonema em 7 dias. Um sujeito de voz esbaforida disse: professor Leonardo, aqui é da TV Novos Tempos, o senhor pode vir dar uma entrevista aqui no estúdio? E eu: sobre o que é mesmo essa entrevista? Ele: só um minuto (gritou para alguém perguntando sobre o que era a pauta mesmo), enquanto ele se informava, eu desliguei o telefone calmamente e voltei para a poltrona para coçar a sobrancelha e morder meu palitinho de dente.
O mais interessante é quando um número qualquer já ligou mais de dez vezes sem parar para você, e você evitando atender, e em determinado momento o telefone toca e o mostrador avisa que é um amigo querido, aí você atende, então, o amigo querido diz: peraí, Leonardo, tem uma pessoa aqui do lado lá da cúpula do Tribunal de Justiça, querendo falar contigo para te fazer um convite para vir trabalhar de graça num evento ridículo que vai ter aqui e passa o telefone para a autoridade na maior desfaçatez do mundo. O que fazer com um amigo querido que faz esse tipo de sacanagem? Apagar da agenda do celular e sumir do mapa. Se até no amor, as pessoas se abandonam, imaginem na amizade com uma pessoa inconveniente, é matar e adeus, nem no velório eu vou.
Em relação ao meu problema gravíssimo com telefones, fiquei mais aliviado, depois que fiquei sabendo que:
"Freud, ao que parece, não gostava de telefone, ele gostava, contudo, de escutar. Quem sabe ele já sentisse, previsse que o telefone é sempre uma cacofonia, e que o que ele deixa passar é a voz ruim, a comunicação falseada?" (Roland Barthes).
Droga, existe algum tipo de bruxaria nesse lugar. De repente, meu telefone começou a tocar sem parar, um número anônimo, desconhecido, de alguém que não me ama, ninguém que esteja na função de Mãe. Eu só aceito telefonemas na função de Mãe. Será que o pessoal mais sofisticado que já usa Iphone já possui na programação a função de Mãe? Devo comprar no mercado das mercadorias essa função de Mãe?
Thursday, November 07, 2013
O sorriso de uma mercadoria.
Gostaria de compartilhar uma emoção que eu senti hoje, foi algo único. Eu estava caminhando pelas ruas da cidade, quando, de repente, eu vi uma mercadoria! Foi um momento encantador, acho que fiquei com um fetiche, tão deslumbrante era a imagem.
argumento
A estudante de letras, ex-crente, ex-evangélica, casou com um pastor estelionatário que a abandonou para ficar com a viúva de um ex-deputado que prometeu lançá-lo na política. Ela precisou ter muita força de vontade para se reerguer. Hoje, ela é puta de um italiano que trafica pó nos bares da cidade, fala italiano melhor do que ele, o curso de letras era muito bom.
Falar mal é uma moeda.
Já falei mas vou falar de novo. Tinha um sujeito que metia o pau na prefeita. Para onde ele ia, ele esculhambava com ela. Ele era formador de opinião. Multiplicava. Falava horrores da prefeita. Coisas baixas. Muito baixas. Ele conseguiu uma consultoria, ganhando 5 mil sem fazer nada para ele e outra de 5 mil para a esposa dele. Passaram anos levando essa boquinha de dez mil para não falar, parar de criticar. Aliás, ele começou a fazer elogios à prefeita que eu nunca tinha escutado nem da mãe dela. Hoje, o mesmo sujeito e a mulher dele, depois de esculhambarem muito o prefeito, foram chamados de novo para compor as tais consultorias. Tem gente que vive disso, não é? E dá certo, afinal, uma família ganhar dez contos por mês só para parar de falar mal é nada mal para os canalhas, não é? Esse lance de ameaçar para conseguir consultoria é de praxe para quem aceita, não é?
Hiper-masculinidade no mundo acadêmico.
Os homens no mundo acadêmico gastam mais tempo mijando fora do pinico, fazendo competição para saber quem mija mais longe, brincadeira de meninos, recortando e generalizando (fazendo o gênero perverso, o gozo perverso) a favor de espaços e formas de socialidade masculina, do que estudando e pesquisando. A questão principal passa a ser quem é o pica grossa que vai mandar no bando de irmãos. Quem vai ser o bichão. Me faz lembrar de um rapaz, nascido e criado na favela, que ficava puto quando alguém dizia que a rapaziada da favela só sabia pedir grana para quem era de fora. Ele tinha ódio de quem fazia essa sugestão: de que o pivete é pidão. Uma coisa tem a ver com a outra não é? Minhas pesquisas de campo têm me propiciado aprender alguma coisa sobre a forma-favela da universidade e sobre a forma-universidade da favela.
Procedimento de trabalho
Procedimentos de trabalho: toda semana, escrevo um texto inédito de 10 páginas e levo para alimentar os debates em sala de aula. Às vezes, não consigo escrever dez, mas escrevo cinco. Na pós-graduação, terei 16 encontros no semestre. Ou seja, no final do ano, tenho entre 80 e 160 páginas inéditas, escritas e discutidas em sala de aula, sobre o campo de problematização do curso. Neste semestre, estou ministrando Estratégias Discursivas de Poder. Além de usar esta produção na próxima edição do mesmo curso como material didático, daqui a dois anos, fazendo a transformação de uma turma em outra, consequentemente, de um educador em outro, vou elaborar um ensaio teórico para publicação de um artigo sobre a questão central da disciplina. De dois em dois anos, surge um artigo novo. Em dez anos, um livro. Vou fazer isso com Estratégias Discursivas de Poder e também com Michel Foucault e a teoria social contemporânea (os dois cursos para a pós).
Um diário de professor
Estamos tentando fazer uma mudança na universidade para que as disciplinas de 4 créditos não sejam mais repartidas em dois dias, como de costume. Seriam sempre uma manhã ou tarde ou noite. Na prática, isto já é possível. Por exemplo, tenho concentrado minhas aulas neste semestre na sexta-feira, 8 horas de aulas ininterruptas, de 14 horas às 18 horas, na pós-graduação (mestrado e doutorado) e de 18 horas às 22 horas, na graduação. Às terças-ferias, de 14 horas às 18 horas, há uma reunião obrigatória de departamento, colegiado da pós ou de área ou do colegiado da coordenação. 12 horas de sala de aula mais a reunião obrigatória. Na terça-feira pela manhã, de 8 horas às 12 horas, faço atendimento de orientandos. Na terça-feira à noite, repito, concentrando três expedientes num único dia. Na sexta-feira pela manhã, antes da tarde e noite de aulas, escrevo toda semana um texto de 5 a 10 páginas com minhas problematizações para levar para sala de aula, ou seja, ao final de 16 encontros do semestre, tenho entre 80 a 160 páginas sobre o curso, o que uso como material didático na próxima edição dele, e também para publicar como artigos e depois como livro. As coisas estão se organizando. Sábado ou é trabalho de campo ou é produção de artigos, e há uma reunião de final de tarde no sábado que estou fazendo na minha residência com a equipe de bolsistas de iniciação científica que coordeno. Segunda-feira pela manhã, há uma reunião da coordenação da pós-graduação, da qual sou membro. Segunda à tarde e à noite, preciso revisar os textos de orientandos para poder encontrá-los na terça pela manhã. Uma média de 150 páginas por semana de revisão de textos. As leituras de teses, dissertações e monografias para bancas ficam diluídas e precisam ocorrer ao sabor das datas de defesa. Nesses momentos, é preciso parar tudo para fazer essas revisões de formação final que são um momento central da formação de recursos humanos (graduados, mestres e doutores).
Sunday, November 03, 2013
O amor
Tirante as dimensões espirituais, psíquicas, financeiras, sociais e políticas, sou sim um indivíduo que vive em uma situação confortável. O conforto é a alegria do pobre: o amor.
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