Wednesday, November 21, 2018

10%

Os economistas do sistema preconizam que as organizações em geral tenham apenas 10% de quadros de especialistas no sentido moderno (alta performance, alta qualificação, altos salários - estes últimos não tão altos assim, se comparados com o passado). Essa tendência anti-intelectualista propagada por intelectuais neoconservadores cai como uma luva, quando vira uma força de crença generalizada de que realmente o estudo não vale a pena. Que a maioria pare de almejar o que vai ficar raro é uma medida de proteção de mercado para quem almeja ficar entre os 10%. Que a maioria das famílias pare de desejar o universo do especialista, que os jovens parem dessa "mania" de ensino superior. Quais jovens? Não há opinião inocente. Muita atenção é pouca. O pior é que muitos dos que propagam a corrente anti-intelectualista são os que se quer excluir. A concordância do indivíduo não desejável com sua própria exclusão é a razão de ser da política atual e da aliança entre família, governo e igreja. Fechar as portas, reserva de mercado, proteção dos nichos. E o ataque à universidade pública passa por aí, pois, virtualmente, ela democratiza acessos, e, efetivamente, desvaloriza diplomas de especialistas no mercado dos diplomas. Os liberais ricos e brancos são protecionistas, quando se trata de política de cotas raciais para seus filhos (pelo racismo de Estado disfarçado de espírito de competição ou por este alimentado). Garantir os 10% com relativa exclusividade. Plausível, não, essa hipótese? Quaisquer erros informacionais aí, me deem o toque. Desconfio que não seja tão simples assim.

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