Wednesday, August 19, 2015

O nascimento de anarca.

É preciso que um indivíduo esteja profundamente arruinado, destroçado, perturbado, aniquilado, mergulhado na balbúrdia de suas paixões e gozos mais contraditórios, prestes a partir-se, a se desintegrar, para que desenvolva um desejo de ordem, de uma ordem que se impõe de fora, um desejo de ordem sustentado pela dor de uma profunda culpa, de um terrível desejo inconsciente proibido de matar para amar e amar para matar. Deus é o suicídio adiado, o suicídio postergado, o suicídio suspenso, o suicídio na cruz, um desejo torturado, como de um perverso não domesticado, pior do que o mais perverso dos ladrões, esses agentes da ordem, que faz de Deus um falo, a fim de violar o útero da mãezinha. Anarca não obedece e não crê. Anarca é o cão, tem o cão nos couros e achando bom o cheiro de fumo e de cachaça.

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