Sunday, April 12, 2015
A atividade do pensamento gera desordem.
Quantos eventos sociais você deixou de ir na vida porque preferiu ficar o dia inteiro ou a noite inteira estudando? Aqui no meu FB, dos 101 amigos, tenho certeza de que uns 30 passaram a vida inteira fazendo isso de modo sistemático. É o pessoal da minha turma. Fonte de orgulho, pois estudar é uma das tarefas mais complexas. Exige abrir mão de muita festinha, baladinha, o que não quer dizer que não sejamos grandes festeiros e baladeiros. Uma coisa é uma coisa. Outra coisa é outra coisa. A galera do estudo quando entra na boêmia, tem é Zé pra sair. Mas em geral o pessoal entra depois de ter cumprido alguma tarefa de estudo muito importante. Tipo: terminado de ler as obras completas de Machado de Assis. Essa farra, quando eu tinha 19 anos, foi uma das mais intensas. Uma farra machadiana. Passei uns três dias seguidos entre o Cais Bar, os botecos 24 horas do Centro e as barracas da Praia do Futuro. Lavei no mar as palavras que saltavam da minha cachola. Fiquei atônito apenas por ter aprendido a palavra atônito. Fiquei ensimesmado porque tinha aprendido o que era o si mesmo como figura subjetiva literária. A cada obras completas era um porre. As farras tinham nomes dos homenageados: Graciliano Ramos, José Lins do Rego, João Rosa. Há motivo para festinhas e baladinhas melhor do que esse? É assim que as coisas se tornam reais. Pelo uso da força inerente à imaginação literária. É o que torna o amor possível. É o tempero do tira-gosto. É o sabor de uma cerveja. E como hoje é domingo, não é dia de farra, continuemos nos estudos, longe das festinhas, baladinhas e demais eventos sociais que festejam a ordem. Meu interesse é na desordem. Naquilo que gera desordem: a atividade do pensamento.
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