Friday, February 08, 2013

O babaca absoluto.

Que você ou eu sejamos babacas, sobre isso, há, graças ao Bom Deus, controvérsias acesas, uns nos acham muito, outros nos acham pouco e ainda por cima para que não entremos em infame desespero há os que não nos acham babacas de jeito nenhum e nos chamam de interessantes, inteligentes e bonitinhos, aí a massagem é total. Enfim, há quem nos considere babacas e também quem não nos considere. Tudo na mais perfeita normalidade dialética das coisas. Nós mesmos somos uma vez ou outra perdida na vida capazes de nos assombrarmos com algum grau de babaquice que atingimos em determinada situação ou contexto e nos sentirmos profundamente envergonhados apenas à lembrança disso, com exceção dos babacas perversos e adeptos do mal-caratismo, mas aí a gente teria de mudar de assunto. No fundo, quando o tema é a babaquice, a alheia é sempre mais retumbante. Somos babacas relativos, afinal. Ocorre, meu amigo e minha amiga, que há babacas arrematados. Completos babacas. Babacas capazes de gerar um consenso em torno de sua própria babaquice, unindo militantes partidários de esquerda das mais diversas origens e tendências (e olhe que nas militâncias de esquerda, há babacas saindo pelo ladrão, o Zé que o diga, e sobre as militâncias babacas de direita, seria um gasto de saliva lançar alguma consideração: já têm um Zé também). O problema é que após a raiva que o babaca total nos provoca, acabamos por sentir certa pena, forma-se em nós um gotejo de compaixão, e antes que nos descubramos babacas, justamente, por estarmos tendo pena do mais babaca dos babacas, o ódio ao babaca absoluto apodera-se de nós novamente, e com sangue no olho! Voltamos a xingá-lo e a vituperá-lo em silêncio, como reza a hipocrisia que é a base da vida social civilizada (essa coisa cada vez mais rara). E só perdoamos, no nosso íntimo, a babaquice geral àquele babaca tosco de tão resoluto é por que afinal somos parte de uma mesma humanidade, criaturas diante de um mesmo Deus, e não podemos negar a evidência de que o babaca absoluto é em algum grau um nosso parente, um próximo, por que não: um irmão. Daí nasce o sentimento cristão que nos faz acolher na mesa de bar, no Twitter, na rodinha de conversa, nos corredores do Tribunal de Justiça, nos Partidos das frentes de esquerda, nas Igrejas, nas Universidades e por aí vai, o pior dos babacas. Mesmo quando estamos certos de que iremos nos arrepender profundamente pelo acolhimento que fazemos ao babaca-mor, não teríamos como não lançarmos esse ato de amor que o enleve à condição de homo sapiens sapiens, mesmo sendo um babaca absoluto.

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