eram duas da manhã. eles subiam a ladeira onde tinham escondido o bagulho. o momento era de tensão. em número de seis, as coisas pareciam não querer se escamotear. o fio da calçada acompanhava todas as sombras. e como, afinal, não se fala para os outros abertamente a respeito de lugares secretos, os passos calados pareciam jogar basquete numa quadra coberta vazia. a noite era imprecisa, lunar, escorregando os pés de rainha.
e aqueles segredos expressavam a fé que depositavam na vida, precisavam ser resguardados dos olhares da lua e de seus adversários. tinham chegado na praia à tarde, tinham surfado e nadado horas a fio. as pedras percorriam os pés na saída, mas não antes da mordida das tartarugas. imprimiam impertinência e vivacidade com essas pequenas e possíveis querelas. era tudo uma imensa diversão.
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