Sunday, September 17, 2006

Não era do poder da palavra...

Nascimento da filha e desobstrução de caminhos. Os rebentos são expansões de sentido. Horizontes de sentido reconfigurados com novas potências. E assim depois de descobrir o tempo da urgência, o que provaca redefinições profundas nas opções, na natureza da opção, e no campo das escolhas, na caça da autonomia, tento aprender uma nova forma de me situar em relação ao espaço das relações, ao espaço dos pontos de vista, enfim, ao jogo das trajetórias de linguagem. Estou cansado da linguagem. Do nominalismo e do exercício de poder. Quereria cair fora da linguagem, mas o século XX não deixa. Quem me dera saborear não mais a escassez ou a raridade, quem me dera poder ascender a um novo empirismo, do saber e do sabor. (Estou todo os cinco sentidos. Apesar da leitura ser demasiado proustiana sem marcel, mas michel não fica tanto a dever na sua busca, na sua sabedoria de alto mar). Voltei, portando, a faire de la cuisine. Depois de dois anos parado. Novamente: noz moscada, azeite, pimentas, cachaças, vinhos, cebola e alho. Saudade dos tempos antigos. Da pré-história. Dos moinhos de vento. Enfim, devir azeite de oliva extravirgem com manteiga, cebola, alho, noz moscada, filet bleu com spaguetti gratinado ao molho de alcaparras, com vinho cabernet sauvignon e papaya com cassis como dessert. Meu devir, meu viver. Quero o corpo antes do verbo. Minha cura não era pela palavra. Estou out da linguagem, no banquete dos deuses, na fluorescência de aruanda.

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