Thursday, February 18, 2010
Paganismo e vida saudável
A calmaria de um desjejum a base de água natural, aos goles, seria uma retidão de caráter, não fosse pelo vinho que corre pelas minhas veias como um elemento de anti-estoicismo.
Wednesday, February 17, 2010
novo ciclo
Quem, eu? Quem, você? Nestas paragens, os sítios são cultivados pelo prazer das práticas. E os textos são ou dilações sobre si mesmos ou anotações de estudos. Gosto da mistura de gêneros: antropologia com gastronomia, etnografia com literatura, filosofia com ciências cognitivas e cinema com narrativas expressionistas. Se pudermos trocar idéias, é um bom ponto de partida! Onde, eu? Onde, você?
Tuesday, October 20, 2009
anti-urgências total
pobres dos incautos que se comunicam e, aí daqueles, que se comunicam etiquetando suas mensagens como urgentes. o que sabem eles sobre a urgência?
Mensagens urgentes, eu as relanço aos deus dará empacotadas como chegaram.
O desprezo pelo que é travestido de urgente é um arroubo, é um gozo.
Urgente, quem? Urgente, eu? Urgente, você?
De anti-urgência em anti-urgência, a vida vai seguindo, sem que a ansiedade do adoradores de urgência se aplaque.
Portanto, urgente só amanhã, vai indo que eu já fui.
Thursday, July 30, 2009
atropelamentos
primeiramente faríamos a avaliação de todas aquelas aves de rapina que nos querem fazer muito bem ao sangue de dois centímetros de espessura coalhados no asfalto mentiroso das minhas manhãs.
a margem escorrega
e eu nem poderia imaginar que se um dia eu pudesse ter razão, a margem deixaria de estremecer sobre mim. quase como se o sujeito fosse nem dois nem três de si mesmo. uma espécie de tragédia com múltiplos divisores em comum traria de mim aquilo que eu gostaria de ter quando dançasse um música lenta contigo.
sinais
e se a fruta é para ser repartida entre os vários saleiros que a salgam, pereceria minha estranheza em não buscar na fonte de ouro do meu estrabismo o labirinto que medeia a estrela de absinto? e quem poderia assim me satisfazer o olfato e os outros tantos sentidos de procurar a ação que se propõe em signo estabelecer a pauta do teu marcador corporal?
jogando videogame eu me encontro
e quereria a pulga que me deixou te falar como seria se você fosse inconveniente e me propusesse algo mais do aquilo menos que posso te dizer quando insisto em minha palavra solta feito maestro de querer abrir o fôlego para aquele senhor histrião que me bipartia a vida para abraça-lo em duas partes diferidas pelo público fiel mas nem tanto do meu azar.
fugindo pelo beco errado?
e mesmo sem entender a desventura de exuberância que a ela eu proporcionava na minha possível aptidão de a ver inteira através do véu malogrado que faz da transparência um quase furto da alma, queria fazer disso a instância dessa incumbência de tratar o malogro como se altivo fosse. e além disso, apenas o terraço frio, deserto, das pessoas em vão a trazer a caminhada fatal, o trejeito dissoluto de uma partida menos eufórica do que a chegada pelo beco da praia.
sei mais não
e a caminhada seria ao menos esdrúxula se ao finito pudesse reportar minha trajetória em mixórdias celestiais. a quem desses caberia decidir sobre meus pesadelos? sobre minha vontade de não precisar meus passos pelo jardim alheio? e talvez assim pudéssemos atravessar o noturno em riste que há em nós quando volvemos feito loucos banidos pelo ministério de molar preciso e salvo como estridente entre nós.
lodaçal em blues
saudades de ver a mala cheia de festejos, embebida no dígito misturado do jardim anfíbio do coração. esverdeados conseguimos vencer o bosque dos riachos preteridos.
os capazes de quê?
capazes são aqueles que nos ouvem quando batemos à porta do estabelecimento achando que em vão poderemos entrar, ser ouvidos, e dormir numa cama aconchegante, mesmo que com doze pessoas perdidas ao derredor.
Sunday, July 19, 2009
pedintes como eu
Adoraria ter um dia na vida podido degustar de pelo menos um desses instantes de que falam os felizes convictos. Por vezes, uso toda minha força de imaginação para criar uma ambiência plausível para isso, elaborar um cenário onde pudesse ao menos simular a sensação dos relatos dos recalcitrantes felizes. Ah, quem me dera poder saborear da brisa de um vento cálido e marinho, como a respiração fumegante das narinas da sereia, quem me dera abraçar a amante apaixonada que soubesse brindar com o vinho trácio de seus olhos a origem da diáspora de algumas pontas de metal em bronze que amalgamam os meus sentimentos tristes. E colocados aos lábios dela, os meus se fundiriam no mais amargo dos chocolates, beijos entre fendas entreabertas e resfolegantes. Apenas John Coltrane por testemunha estaria presente nesse idílio dos corpos misturados. E em extremos ancorados pela angústia de jamais possuir o melhor dos desejos, nem a melhor das vidas em fúria, quem me daria a mais intensa alegria seria aquela que me faria abandonar essa noite deprimente que me faz viver apenas pelo saque marmóreo do alheio. Um saqueador do outro imaginado, mergulhado na soturna devassidão, com as mãos nuas de seio.
venezuela
ela me fitava com olhar de lástima. parecia que tudo tinha deixado de nos obsequiar. o derrisório tornava-se fastidioso. e as penas pesavam mais do que o vento salobre do final da tarde. quase tropecei no batente quebrado de mármore italiano. a casa em ruínas me convidava a mergulhar fundo no avesso da memória e esquecer que as curvas do meu corpo tinham sido delineadas por suas mãos. o último sorriso que ela me salvaguardara, como se o carinho soprasse um vento da manhã ainda fresco, foi meio desenxabido e saltou com um muxoxo, era uma fina ironia que se desgraçava em mim.
Friday, July 17, 2009
bula de remédio
qual solução era possível? aquelas com teores fraudulentos de álcool estavam há muito descartadas. pelo menos por enquanto, eu havia conseguido me livrar delas. resolvi então seguir o conselho de um amigo que me adicionara no twitter com uma rapidez de gavião leopardo. mal pudera estabelecer a conexão, um monte de mensagens se dispunham ao meu alcance de modo milagroso. dá pra entender? pois, então, bem estive quando descobri a solução tópica de meus problemas, ou seria um só? agora nem tanta esperteza tenho para mirar essa questão. o que me vem a mente, de certo, é que, não se deve usar esse tipo de formulação. um lance que meu professor de redação me ensinou faz é tempo. Mas sem querer tergiversar demais, vou contar logo minha história. é sobre algo como uma bula de remédio que as pessoas por vezes têm pesadelos? dá para entender? de qualquer modo, encontrei a solução tópica dos meus problemas. foi algo sugerido. fiquei super feliz. imagina. além do frio desmesurado que sofri, da sede absurda que me impuseram durante tempos a fio, precisaria eu encontrar a solução mais específica de todas? pois era a ela com quem eu me avistava. fazia de conta que era daquelas caipirinhas que a gente mente de tanto fingir que tomou? se liga? pois então era isso próprio. a menina chega estava com cabelos frígidos de tanto pensar nessa aproximação que quase eu falava como sendo um passagem pelo arpoador do nosso sangue. mas estou começando a tentar ser obscuro, não é? pois não! pois intentarei reverter essa sanguínea força de distúrbios brandos que me fazem quase um ganha pão de mim mesmo. um esfrega cu de judas. mas aí já seria partir para a ignorância. de fato, foram o cloridato de lidocaína com cloreto de benzetônio quem me salvaram a vida. parecia coisa de tomar chope com amigo a tarde toda! se liga? pois bem, fui adentrando o âmago da questão, pois o filho da puta do meu professor de português que eu quis esquecer o nome do desgraçado vivia a falar assim sobre sentir algo no âmago, o frustrado se virava para conseguir alguma vida, não levava nada, nada além de vírgulas e travessões. eu levei um zero do amigo do tal que ensinava matemática. mas isso foi um caso a parte que merecia texto mais elaborado do que este que eu falo. uso adulto ou pediátrico? sei lá! estou mais para operações intravenosas de colocação no mercado de trabalho. tomara que estejam menos repelentes aos que enganam algo além de que podem ser.
Tuesday, May 26, 2009
a flor da pele
ser a flor da pele sempre foi ao mesmo tempo minha glória e minha perdição. mas ela preferia a idéia da glória e assim eu me fiz carne para atendê-la. não havia como fazer isso de modo imediato. tinha de fato horror à imediaticidade das relações. se é para ser imediato, eu fujo. torno-me assim o imediato mais autêntico. todavia, não poderia negar. quando ela me conheceu, eu estava em ruínas. era um eu arruinado, atribulado, quase malfeitor. duas décadas foram perdidas em 20 dias de aflição pelos quais os ofendidos se feriam, e os humilhados se retiravam. o meu melhor seria você, mas as bandeiras ainda estavam desfraldadas e a atenção moída pelo corropio do desejo cortado pela pedrada do orgulho. quem poderia imaginar-se em situação tão deplorável? a imaginação sofria de arritimia e o coração batia certo, sem falhas, portanto de modo artificial. eu era quase como o andróide do filme. você apaixonada por mim, inflava-se de seu próprio desejo, e assim tornava-me um competidor descartado, atrasado, incapaz de levar a frente a possibilidade da conquista. apenas quando você parava de se lamber, de escrevinhar tuas próprias falas em teu corpo, eu me via com a chance de crescer e arrebatar-te para toda a vida. Enquanto eu me virava para melhor fitá-la sem derramamento de lágrimas, ela retrucou: "seria ainda capaz de saltar e fazer as curvas com os toques de um sabio olho verde que curva-se ao desejo e curva da melhor maneira as palmas do desejo imaginativo acossado", então, eu me calei e a abracei profundamente.
Wednesday, May 13, 2009
Ilhas Cayman
o que é perigoso na vida? as ilhas cayman com certeza o são. nem sei se é assim que se escreve. eu apenas identifiquei, enquanto escutava Francisco Buarque, que existem pessoas que assim se identificam. fiquei curioso de não saber se a distância é pequena a esse entorno. as escolhas são as melhores, pois são nossas. não há necessidade de dúvida nesse processo. Sacas?
Saturday, May 02, 2009
escrevendo tese
o céu desabou em fortaleza, lavou das esquinas os olhares circunspectos, pilhou das casas a desfaçatez com que se guarda banha em pó, limpou o olhar de quem vê de trás para frente. em comemoração ao torrencial a que não me opus por mérito de ser sensível aos limites do organismo humano diante das vontades de uma senhora e sua filha irascível, causei em minha pele um quê de memória escorregadia do tempo em que morava no barracão de meu pai, sem telhado, nem fissura que me aquecesse os ossos. foi assim, conquanto, que tive coragem, levantei-me e assolei duas torradas desengasgadas com suco de maracujá. escutando algo In a Landscape, livrei-me de Cage, em fuga e no café da manhã comi desejo como devir com manteiga e pimenta vermelha. quem poderia me sustentar nesse afã de escrita? nem idéia faço de mais não querer adiar a tarefa. passo a ela o turbilhão. deixo aos meus, o aviso.
Wednesday, April 29, 2009
copyleft for night
os melhores textos são os xerocados. o prazer de fotocopiar Platão e encadernar é único. A Metafísica de Aristóteles, por exemplo, chegou até mim pela xerox encadernada de um amigo. Nunca a li, mas os diálogos, eu os li todos. mesmo que a organização mundial da saúde proíba o uso indeterminado de suas informações, ainda me proponho a me assustar com a gripe aviária. Esse gripe aviária está mostrando que a China continua despreocupada com suas ervas daninhas. em seis dígitos ainda será possível captar recursos para a contrapartida dessa pandemia planetária provocada pelas galinhas do livro vermelho na mão. portanto, eis que usuário meritório dos marcadores da enunciação, gostaria de propor um x-tudo ali na esquina. bem ali embaixo, pertinho do solo onde se perde a noção das hierarquias e divergências absolutas. quereria ser carlos, quereria ser gauche para enunciar essa mixórdia de vamos lá e vamos cá que fazem de linhas, corações. e enquanto me aproprio do possível, vou enganando esse pessoal esdrúxulo que me aporrinha sem nem saber voltar para casa.
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