Thursday, July 30, 2009

atropelamentos

primeiramente faríamos a avaliação de todas aquelas aves de rapina que nos querem fazer muito bem ao sangue de dois centímetros de espessura coalhados no asfalto mentiroso das minhas manhãs.

poder de quem?

e quem poderia dizer que o ler o mundo é uma tarefa objetiva?

a margem escorrega

e eu nem poderia imaginar que se um dia eu pudesse ter razão, a margem deixaria de estremecer sobre mim. quase como se o sujeito fosse nem dois nem três de si mesmo. uma espécie de tragédia com múltiplos divisores em comum traria de mim aquilo que eu gostaria de ter quando dançasse um música lenta contigo.

sinais

e se a fruta é para ser repartida entre os vários saleiros que a salgam, pereceria minha estranheza em não buscar na fonte de ouro do meu estrabismo o labirinto que medeia a estrela de absinto? e quem poderia assim me satisfazer o olfato e os outros tantos sentidos de procurar a ação que se propõe em signo estabelecer a pauta do teu marcador corporal?

jogando videogame eu me encontro

e quereria a pulga que me deixou te falar como seria se você fosse inconveniente e me propusesse algo mais do aquilo menos que posso te dizer quando insisto em minha palavra solta feito maestro de querer abrir o fôlego para aquele senhor histrião que me bipartia a vida para abraça-lo em duas partes diferidas pelo público fiel mas nem tanto do meu azar.

fugindo pelo beco errado?

e mesmo sem entender a desventura de exuberância que a ela eu proporcionava na minha possível aptidão de a ver inteira através do véu malogrado que faz da transparência um quase furto da alma, queria fazer disso a instância dessa incumbência de tratar o malogro como se altivo fosse. e além disso, apenas o terraço frio, deserto, das pessoas em vão a trazer a caminhada fatal, o trejeito dissoluto de uma partida menos eufórica do que a chegada pelo beco da praia.

sei mais não

e a caminhada seria ao menos esdrúxula se ao finito pudesse reportar minha trajetória em mixórdias celestiais. a quem desses caberia decidir sobre meus pesadelos? sobre minha vontade de não precisar meus passos pelo jardim alheio? e talvez assim pudéssemos atravessar o noturno em riste que há em nós quando volvemos feito loucos banidos pelo ministério de molar preciso e salvo como estridente entre nós.

lodaçal em blues

saudades de ver a mala cheia de festejos, embebida no dígito misturado do jardim anfíbio do coração. esverdeados conseguimos vencer o bosque dos riachos preteridos.

os capazes de quê?

capazes são aqueles que nos ouvem quando batemos à porta do estabelecimento achando que em vão poderemos entrar, ser ouvidos, e dormir numa cama aconchegante, mesmo que com doze pessoas perdidas ao derredor.

Sunday, July 19, 2009

pedintes como eu

Adoraria ter um dia na vida podido degustar de pelo menos um desses instantes de que falam os felizes convictos. Por vezes, uso toda minha força de imaginação para criar uma ambiência plausível para isso, elaborar um cenário onde pudesse ao menos simular a sensação dos relatos dos recalcitrantes felizes. Ah, quem me dera poder saborear da brisa de um vento cálido e marinho, como a respiração fumegante das narinas da sereia, quem me dera abraçar a amante apaixonada que soubesse brindar com o vinho trácio de seus olhos a origem da diáspora de algumas pontas de metal em bronze que amalgamam os meus sentimentos tristes. E colocados aos lábios dela, os meus se fundiriam no mais amargo dos chocolates, beijos entre fendas entreabertas e resfolegantes. Apenas John Coltrane por testemunha estaria presente nesse idílio dos corpos misturados. E em extremos ancorados pela angústia de jamais possuir o melhor dos desejos, nem a melhor das vidas em fúria, quem me daria a mais intensa alegria seria aquela que me faria abandonar essa noite deprimente que me faz viver apenas pelo saque marmóreo do alheio. Um saqueador do outro imaginado, mergulhado na soturna devassidão, com as mãos nuas de seio.

venezuela

ela me fitava com olhar de lástima. parecia que tudo tinha deixado de nos obsequiar. o derrisório tornava-se fastidioso. e as penas pesavam mais do que o vento salobre do final da tarde. quase tropecei no batente quebrado de mármore italiano. a casa em ruínas me convidava a mergulhar fundo no avesso da memória e esquecer que as curvas do meu corpo tinham sido delineadas por suas mãos. o último sorriso que ela me salvaguardara, como se o carinho soprasse um vento da manhã ainda fresco, foi meio desenxabido e saltou com um muxoxo, era uma fina ironia que se desgraçava em mim.

Friday, July 17, 2009

bula de remédio

qual solução era possível? aquelas com teores fraudulentos de álcool estavam há muito descartadas. pelo menos por enquanto, eu havia conseguido me livrar delas. resolvi então seguir o conselho de um amigo que me adicionara no twitter com uma rapidez de gavião leopardo. mal pudera estabelecer a conexão, um monte de mensagens se dispunham ao meu alcance de modo milagroso. dá pra entender? pois, então, bem estive quando descobri a solução tópica de meus problemas, ou seria um só? agora nem tanta esperteza tenho para mirar essa questão. o que me vem a mente, de certo, é que, não se deve usar esse tipo de formulação. um lance que meu professor de redação me ensinou faz é tempo. Mas sem querer tergiversar demais, vou contar logo minha história. é sobre algo como uma bula de remédio que as pessoas por vezes têm pesadelos? dá para entender? de qualquer modo, encontrei a solução tópica dos meus problemas. foi algo sugerido. fiquei super feliz. imagina. além do frio desmesurado que sofri, da sede absurda que me impuseram durante tempos a fio, precisaria eu encontrar a solução mais específica de todas? pois era a ela com quem eu me avistava. fazia de conta que era daquelas caipirinhas que a gente mente de tanto fingir que tomou? se liga? pois então era isso próprio. a menina chega estava com cabelos frígidos de tanto pensar nessa aproximação que quase eu falava como sendo um passagem pelo arpoador do nosso sangue. mas estou começando a tentar ser obscuro, não é? pois não! pois intentarei reverter essa sanguínea força de distúrbios brandos que me fazem quase um ganha pão de mim mesmo. um esfrega cu de judas. mas aí já seria partir para a ignorância. de fato, foram o cloridato de lidocaína com cloreto de benzetônio quem me salvaram a vida. parecia coisa de tomar chope com amigo a tarde toda! se liga? pois bem, fui adentrando o âmago da questão, pois o filho da puta do meu professor de português que eu quis esquecer o nome do desgraçado vivia a falar assim sobre sentir algo no âmago, o frustrado se virava para conseguir alguma vida, não levava nada, nada além de vírgulas e travessões. eu levei um zero do amigo do tal que ensinava matemática. mas isso foi um caso a parte que merecia texto mais elaborado do que este que eu falo. uso adulto ou pediátrico? sei lá! estou mais para operações intravenosas de colocação no mercado de trabalho. tomara que estejam menos repelentes aos que enganam algo além de que podem ser.

Tuesday, May 26, 2009

a flor da pele

ser a flor da pele sempre foi ao mesmo tempo minha glória e minha perdição. mas ela preferia a idéia da glória e assim eu me fiz carne para atendê-la. não havia como fazer isso de modo imediato. tinha de fato horror à imediaticidade das relações. se é para ser imediato, eu fujo. torno-me assim o imediato mais autêntico. todavia, não poderia negar. quando ela me conheceu, eu estava em ruínas. era um eu arruinado, atribulado, quase malfeitor. duas décadas foram perdidas em 20 dias de aflição pelos quais os ofendidos se feriam, e os humilhados se retiravam. o meu melhor seria você, mas as bandeiras ainda estavam desfraldadas e a atenção moída pelo corropio do desejo cortado pela pedrada do orgulho. quem poderia imaginar-se em situação tão deplorável? a imaginação sofria de arritimia e o coração batia certo, sem falhas, portanto de modo artificial. eu era quase como o andróide do filme. você apaixonada por mim, inflava-se de seu próprio desejo, e assim tornava-me um competidor descartado, atrasado, incapaz de levar a frente a possibilidade da conquista. apenas quando você parava de se lamber, de escrevinhar tuas próprias falas em teu corpo, eu me via com a chance de crescer e arrebatar-te para toda a vida. Enquanto eu me virava para melhor fitá-la sem derramamento de lágrimas, ela retrucou: "seria ainda capaz de saltar e fazer as curvas com os toques de um sabio olho verde que curva-se ao desejo e curva da melhor maneira as palmas do desejo imaginativo acossado", então, eu me calei e a abracei profundamente.

Wednesday, May 13, 2009

é mesmo?

pelas beiradas, vamos escrevendo o real.

Ilhas Cayman

o que é perigoso na vida? as ilhas cayman com certeza o são. nem sei se é assim que se escreve. eu apenas identifiquei, enquanto escutava Francisco Buarque, que existem pessoas que assim se identificam. fiquei curioso de não saber se a distância é pequena a esse entorno. as escolhas são as melhores, pois são nossas. não há necessidade de dúvida nesse processo. Sacas?

Saturday, May 02, 2009

escrevendo tese

o céu desabou em fortaleza, lavou das esquinas os olhares circunspectos, pilhou das casas a desfaçatez com que se guarda banha em pó, limpou o olhar de quem vê de trás para frente. em comemoração ao torrencial a que não me opus por mérito de ser sensível aos limites do organismo humano diante das vontades de uma senhora e sua filha irascível, causei em minha pele um quê de memória escorregadia do tempo em que morava no barracão de meu pai, sem telhado, nem fissura que me aquecesse os ossos. foi assim, conquanto, que tive coragem, levantei-me e assolei duas torradas desengasgadas com suco de maracujá. escutando algo In a Landscape, livrei-me de Cage, em fuga e no café da manhã comi desejo como devir com manteiga e pimenta vermelha. quem poderia me sustentar nesse afã de escrita? nem idéia faço de mais não querer adiar a tarefa. passo a ela o turbilhão. deixo aos meus, o aviso.

Wednesday, April 29, 2009

copyleft for night

os melhores textos são os xerocados. o prazer de fotocopiar Platão e encadernar é único. A Metafísica de Aristóteles, por exemplo, chegou até mim pela xerox encadernada de um amigo. Nunca a li, mas os diálogos, eu os li todos. mesmo que a organização mundial da saúde proíba o uso indeterminado de suas informações, ainda me proponho a me assustar com a gripe aviária. Esse gripe aviária está mostrando que a China continua despreocupada com suas ervas daninhas. em seis dígitos ainda será possível captar recursos para a contrapartida dessa pandemia planetária provocada pelas galinhas do livro vermelho na mão. portanto, eis que usuário meritório dos marcadores da enunciação, gostaria de propor um x-tudo ali na esquina. bem ali embaixo, pertinho do solo onde se perde a noção das hierarquias e divergências absolutas. quereria ser carlos, quereria ser gauche para enunciar essa mixórdia de vamos lá e vamos cá que fazem de linhas, corações. e enquanto me aproprio do possível, vou enganando esse pessoal esdrúxulo que me aporrinha sem nem saber voltar para casa.

Saturday, March 14, 2009

noites insones

mais uma noite de insônia. seria a insônia uma qualidade da noite? será possível eu ter me enganado durante tanto tempo sobre isso? há dez anos, eu estaria dançando em algum lugar. então é isso? estou ficando velho. por isso que esse sentimento de acúmulo de vivências impregnou-se em mim. eu deitado na rede, na sala de casa, e as luzes do prédio alheio invadindo minha sala, projetando-se sem minha permissão sobre as paredes que, agora percebo, nunca me pertenceram por uma razão muito simples, a casa é minha mas as paredes não são minhas, são alugadas. por esses dias, precisarei ir ao dentista. meus dentes pela manhã balançam na boca e, à tarde, quando já os sinto suficentemente endurecidos para uma refeição mais ousada de picanha com salada de batata, eles se ressentem de não terem sido avisados. estou com saudade do meu dentista. ele é um cara muito legal. engraçado e prestativo, faz da situação imobilizante da cadeira de dentista uma cena de filme antigo, desses em que as imagens giram na nossa cabeça, como se o mundo fosse delirante. de qualquer modo, é melhor do que ficar acompanhando a intromissão de mãos e ferramentas, brocando dentro da boca aberta, escancarada, atemporal.

houve tempos em que minha subjetividade se percebia meio mandona, dona do mundo, no centro de tudo. nem sei mais se perdi alguma coisa em perder essa experiência para todo o sempre. algum leitor pode me objetar. mas esse cara não está escrevendo em primeira pessoa? mas é aí que está. é a facilidade do escrever em primeira pessoa que hoje me denega. é o que sinto. meu eu não está mais aqui. está em outro lugar. e não faço mais a menor idéia de onde seja esse outro lugar. talvez tenhamos que pedir ao poder público e aos estabelecimentos privados com responsabilidade social para criarem departamentos de eus achados e perdidos. pelo menos seria divertido correr o risco de entrar no shopping para comprar uma camiseta e sair com um eu completamente estranho e sinistro, falando por nossa boca como se fôssemos um títere de sujeito. o eu lá, todo intromisso, macaqueando em nosso corpo pelas ruas da cidade. íamos dar trabalho à polícia, aos médicos e todos os senhores de anéis que se esmeram em cuidar de nós.

eu não devia ter comido tanta picanha. o bolo de carne está parado dentro de mim, espreitando pela chance de se movimentar. as menininas adotaram o procedimento medicalizante da anorexia. um dia desses uma equipe de alunos e alunas fizeram um trabalho sobre isso para uma de minhas aulas. foi horripilante saber que os menininhos também cederam a isso. a anorexia agora é andrógina. não que eu seja um desses moralistas débeis mentais que ficam alardeando pelos quatro cantos o fim de deus por causa da androginia. tenho lá minhas babaquices, não muitas, é claro, ainda me resta um sentido próprio de amor ao outro, mas o que me assusta é onde a androginia está sendo aplicada. talvez fosse mais interessante termos mais arte andrógina com menos bulimia. mas acho que estou precisando ir pegar uma coca-cola zero, antes de continuar, para não descambar para um texto chulo de jornaleco, tipo desses que saem na folha lá do povo que acredita mandar na gente.

pronto, estou de volta, peguei o copão de plástico amarelo e enxi de pedras de gelo com coca cola zero. será que eles pagam algum bônus, se a gente cita o produto num texto assim da blogsfera? sei lá, está tudo tão mudado que é bem capaz de eu receber um telefonema amanhã da mega-empresa sobre isso. vixe, outro problema, esse hífen aí atrás ainda existe? não, não vou me preocupar com isso agora. são três horas da manhã e meu sono está passeando longe lá fora. mas pensando bem vou verificar ali de novo se eu desliguei mesmo o celular. não só por causa da coca cola. estou de saco cheio de celular. virou uma espécie de consultório ambulante. e como eu tenho apenas um ouvido bom, o outro é bichado, ninguém consegue falar direito comigo ao vivo se eu estiver falando ao celular. é uma coisa ou outra, sou mono. ainda bem que eu não digitei mona, pois aí o povo podia maldar. pesquisei aqui no google, mona is a free operating system com code free. legal, olha aí eu fazendo outro merchandizing pra galera do capital. enfim, o capital se subjetivou, como dizem os professores de hoje em dia lá nos estados unidos. o capital por lá se subjetivou de tal modo que perdeu inclusive a morada. foi expulso de casa. antes, a figura por excelência do capital subjetivado, era o desemprego, agora é o desemprego homeless. só falta o capital subjetivar o desejo da falta, pois o desejo da culpa já virou moeda corrente da fluidez das novas relações capitalistas.

pense numa insônia braba, fui nos estados unidos e voltei ainda com ela nos braços. mas venhamos e convenhamos, não se fazem mais churros como antigamente. apesar de que no google temos mais de 1.900.000 referências para as receitas de churros. enfim, estamos comendo os códigos. esse lance dos churros foi mais uma lembrança reprimida da infância. ou seja, outra vez me lembrando que estou ficando velho. acho que preciso ligar amanhã para minha mãe. conversar com ela sobre a velhice. mas terei de ser bem sorrateiro para ela não ficar com raiva e passar duas semanas se escondendo de mim. principalmente agora que ela praticamente virou budista tibetana, eu ir falar de velhice, não ia pegar bem. mas se eu falar da minha avó, a conversa rende 93 anos. já estou me sentindo mais novo, só de pensar. mas assim também já é manipulação demais das idéias.

acho que vou parar por aqui compartilhando a notícia boa de que o barulho das teclas acabou acordando minha mulher. ela perguntou o que havia, eu disse que estava com insônia. ela então me chamou para conversar. a voz era macia e acolhedora. vou nesssa, meu tempo de vida é promissor por esses instantes e amanhã não sei se vou caminhar na praia ou tomar uma cerveja comendo um pargo frito. que vida distante essa nossa.

Friday, November 07, 2008

1988

esses bostinhas, infelizmente, eu os conheço faz tempos. desde os tempos de escola. os babacas ficavam lá irritados por não aprenderem nada, naquela porra, que era a escola da gente, que não se tocavam, de jeito nenhum, que aquela porra do colégio da gente, era só para aprender como funciona a sociedade brasileira e como um todo fraturado e rasgado contra a parede que é o peito de ter assinado a constituição federal de 1988 e exigir que ela seja efetivamente cumprida, pois eu assinei e quero minha vontade respeitada, e os babacas do colégio que só pensavam em dinheiro, sucesso e poder, viraram esses gerentes restritos que temos que engolir por aí.

Monday, October 06, 2008

A favor de Fortaleza de tod@s!!!!

A cidade é nossa!!!!!!!! A cidade não pertence aos carros importados dessa elite estúpida e sua arrogância histórica. A cidade é nossa!!!!!!!! Não aceitamos mais que esses segmentos elitistas que só pensam em dinheiro, sucesso e poder continuem destruindo o meio-ambiente, avançando na especulação imobiliária, oprimindo os jovens da periferia e instaurando uma situação de desequiíbrio social e cultural insustentável. Queremos reverter a riqueza das pessoas dessa cidade em elemento cultural, político, social e econômico que amplifique e potencialize um processo de desenvolvimento sustentável, orientado para justiça social, igualdade de direito e de fato, qualidade de vida, respeito aos direitos humanos, à diversidade sexual, enfim, uma cidade para tod@s. Uma cidade de tod@s. Que as elites fiquem nos seus shoppings centers, empaturrando-se de gordura. E que os seus filhos venham jogar capoeira, dançar quadrilha, surfar e mudar de mentalidade nas comunidades criativas do nosso povo.